Viagem

Como visitar Inhotim em um feriado gastando pouco

É normal dar aquele friozinho na barriga antes de marcar uma viagem. Será que chove? Será que é legal mesmo? Rola pegar busão? A grana vai dar? Um desses pés atrás eu sempre tive antes de ir conhecer Inhotim. Mas eu fui a cobaia desta vez e vou te contar todos os esquemas para você ver que dá sim para viajar bem e com pouco!

Aqui no Nômades estamos sempre te encorajando a fazer a malas e ir. O famoso “só vai”. Isso porque a gente tem que desprender de que a ideia de viajar é luxuosa. Não é nada além do que uma experiência. Claro que você descola uns trocados a mais do que ficar em casa no Netflix, mas é só organizar direitinho que todo mundo viaja!

Eu sempre tive vontade de conhecer o parque de Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, mas sempre me faltou data, companhia e coragem. E desta vez eu fiz as malas e fui all by myself.

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Wikipedia

Tudo começou com a data ideal. No meu caso foi um feriadinho no meio da semana que eu extendi até a outra segunda. Mas vou te falar que um na quinta ou terça é o que basta! Escolhida a data fui atrás do transporte até lá. Como sou de São Paulo, são uns bons 600 km pela frente.

De carro e sozinha era muito pedágio, gasolina e risco -achei. Pensei em colocar anúncio em um site de carona, mas como eu emendei bastante o rolê, achei que pela data não fosse dar. Mas fica aí um pensamento: no Bla Bla Car, por exemplo (app que eu já usei e recomendo), você pode tanto oferecer quanto pegar carona por um preço justo.

A segunda opção era busão. Fui dar uma olhada e achei somente a ida de 8h de bunda quadrada por R$ 130 golpes. Foi aí que eu pensei, vou dar uma olhada em avião, pois das vezes que eu fui para o Rio compensou mais. Dito e feito. Encontrei no site da Gol passagem de Congonhas até Confins por R$ 250 ida e volta com taxas gastando apenas uma horinha de voo. Tá vendo, que procura acha!

Depois de dividir as passagens em três vezes no cartão e acumular menos de R$ 100 por mês na minha fatura para essa viagem, estava na hora de acomodação. Como sempre a minha primeira e desta vez única pesquisa foi mesmo o Airbnb. Lá encontrei uma casinha do amor em BH por R$ 60 a diária mais um hostel em Brumadinho por R$ 40. Também, tudo com a possibilidade de dividir no cartão. Cara, você quer mais o que?

Aproveito já para contar meu itinerário. Como não conhecia BH, resolvi passar uma noite lá. Cheguei na terça de tarde, peguei um buso do aeroporto até a cidade (R$ 26 ida) e depois fui andando até minha hospedagem – que diga-se de passagem, fofa e recomendadíssima!

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Em BH <3

Andar para mim é um must. Uber e buso é só se chover ou meu pé não aguentar mesmo. Acho que nada é melhor para descobri uma cidade, assim como diria Walter Benjamin:

Uma cidade nos chega pelos olhos e pelos pés“.

Lá eu visitei mostra de cinema, museu, praça, mercadão… Comi delícia e barato. É saindo de São Paulo que a gente vê como a cidade é cara. Nesses dois dias e uma noite em Belo Horizonte vou te falar que não gastei nem R$ 100. Tudo deve ter dado uns R$ 70… Claro que eu não almocei e jantei com sobremesa nem em restaurante TOP com rolê TOP. Mas vivi as experiências que busquei desse meu rolê.

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Patricia Piccinini em ComCiência no CCBB BH

Na quarta que era feriado, peguei um busão até Brumadinho. Esse fica na Praça 7 (ao lado do banco Itaú). As linhas que saem de lá são as 3788, 3787 e 3783. Os horários variam entre dias da semana e feriado, mas geralmente é de hora em hora. Soma-se mais R$ 8 dessa viagem (ida).

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Obra em Inhotim sobre a cidade/rodoviária de Brumadinho – foi esse buso azul que eu peguei! Obra que retrata um pouquinho de Brasil feita pelo gringo John Ahear

Cheguei em Brumadinho e meu hostel maravilhoso ficava a um quarteirão da rodoviária. Cidade pequena, passei na padaria comprei 3 pães, uma margarina e tomei um café com R$ 5. Jantada, peguei também um latão de cerveja e estendi a noite conversando com o pessoal que lá conheci.

Na manhã seguinte era dia de Inhotim. E aí já surge a pergunta de quantos dias são suficientes para conhecer o parque. Olha, eu diria 4. Mas dois também são belezura. Portanto, em um feriado de 4 dias você pode ir direto para lá e ver o que te agrada mais. A cidade é cheia de cachoeiras, trilhas e passeios outdor que eu não tive a oportunidade de conhecer justamente porque não sabia e não me planejei para isso. Todos eles você pode fazer com guias ou grupos por preços semelhante aos do ingresso do parque (de R$ 20 a R$ 40). Ou seja, se você puder passar uma semana lá, vou te falar que tem coisa para fazer!

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Começando pelos valores, que é isso que na vida real pesa na hora da gente sair de casa, os ingressos do parque em dias de semana custam R$ 25 (com meia entrada). Às quartas são gratuitas. Finais de semana e feriado, acrescenta-se mais R$ 20 ao valor cheio. E às segundas estão fechadas. Comprando um passaporte de 4 dias você também economiza.

Não dá para entrar com comida lá, é verdade. Apesar deles não revistarem as malas (rs) o almoço no quilo do parque (o restaurante Oiticica) sai um prato uns R$ 15 com o preço de R$ 38,90 o kg do prato. Bebedouros em todo o parque te ajudam a gastar menos. Mas se sobrar uma graninha recomendo as cervejas artesanais Wäls feitas especialmente para o parque (uns R$ 30 – e dá para dois), o pão de queijo da dona Dailde – feito com queijo da canastra e uma senhora porção que eu sozinha não consegui comer – cerca de R$ 20.

Ainda a outra dica gastronomica é o restaurante Tamboril. Lá o valor cheio é mais salgado. São R$ 70 que no entanto são à vontade com direito a sobremesa. Sem sombra de dúvidas uma das melhores comida que já comi da vida. Carne de cordeiro, ravioli de brie, saladas mil, sobremesas de tirar o fôlego. Por isso recomendo! É uma experiência tanto quanto as obras.

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Ah, as obras! Agora que você já viu que dá para ir, vamos ao que interessa!

Eu confesso que sou fã das artes (principalmente contemporânea), mas reconheço que mesmo que você ainda não foi apresentado a elas vai curtir o passeio. O parque tem 140 hectares de jardim sendo considerado também um jardim botânico devido as suas mais de 500 espécies.

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É preciso uma árvore de mentira para apreciarmos a real beleza da natureza? Elevazione de Giuseppe Penone

Soma-se também 23 galerias mais 265 artistas mais 1300 obras em exposição. Esqueça também o imaginário coletivo de museu. Aqui a arte transcende e você pode sentí-la além de só admirá-la. Quer exemplo maior que isso do que duas piscinas para os visitantes?

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Uma delas é a de Jorge Macchi e a outra é coberta e vem acompanhada de projeções na Cosmococa de Helio Oiticica e Neville D’Almeida

Agora, como visitar tudo isso? Você pode por R$ 25 fazer uso de um transporte que funciona lá dentro tipo ônibus – só que carrinho de golfe. Mas eu acho que isso só vale a pena mesmo se você tem pouco tempo. Por exemplo, em uma viagem de dois dias para Inhotim, fazer o primeio a pé e o segundo com transporte. Deficientes e idosos têm transporte via carrinhos de apoio

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“A arte deve seduzir depois deve dar o que pensar e encorajar a ação”, Cildo Meireles (para mim o mestre dos mestres) e quem fez o Desvio para o Vermelho

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Agora por que o vermelho? Isso ele nunca contou. Dou a letra que os anos eram os 1970, ditadura… Para você se familiarizar. Mas a dica aqui é abrir a geladeira e o guarda-roupas (pode!).

Caso você não entenda bulhufas de alguma obra e queira se aprofundar, todas possuem um guia sempre muito simpático para te ajudar. Basta bater um papo com eles que tudo fica mais claro. É legal saber que aqui os funcionários do parque participam de oficinas e de todo um contexto educativo. Tanto aqueles que trabalham direto com os artistas bem como jardineiros, vendedores, etc.

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Mais uma clássica: Viewing Machine – Olafur Eliasson

Logo que você entrar irá receber um mapinha com três cores de caminhos. Recomendo você a segui-los para não se perder (tanto) e não deixar nada de fora daquele percurso. Mas não esquente se você passar de novo por tal lugar ou não encontrar algo. Desapegue! A experiência de não usar o celular com GPS é realmente mágica nos dias de hoje.

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Galeria Adriana Varejão – vale a pena conhecer a história desta obra. Recomendo também ouvir essa música em seguida:

Chege lá, pergunte e descubra você mesmo o porquê!

Falando em mágica vale deixar a anteninha do senso crítico alerta aqui. Como jornalista é importante eu te lembrar que apesar deste lugar ser um paraíso, ainda assim é propriedade de um magnata da mineração. Se você reparar, está cercado por áreas de natureza devastada além de outros truques para deixar tudo maravilhoso como o corante – biodegradável – usado nos lagos do parque, pois em sua forma original a água lá é alaranjada por conta do próprio minério de ferro.

E mesmo assim vou te falar que vale o passeio. É claro que esse último parágrafo tem seu impacto e te traz para a realidade lembrando que nem tudo são flores. Mas a experiência de Inhotim para mim foi única e explendorosa. Já quero voltar todos os anos para lá assim – curtindo muito e gastanto pouco. Só espero que até eu enjoar não dê de cara com o complexo de hotéis “gourmet” que estão fazendo por lá…

Todas as fotos © Stephanie Bevilaqua




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