Viagem

Talvez você não saiba, mas o acúmulo pode estar se tornando o seu maior peso

Tenho ouvido muito sobre minimalismo. Quando você decide que vai vender tudo o que tem para passar dois anos em um motorhome, esse se torna um assunto muito comum nas rodas de conversa. As reações são as mais variadas: desde aqueles que acham uma atitude louvável, digna de admiração, até aquelas reações mais histéricas e passionais que não se conformam de eu me desfazer dos 20 pares de sapato que não uso há mais de um ano.

Como os movimentos artísticos do século passado que lhe emprestam o nome, o minimalismo do século XXI prega a redução do estilo de vida ao essencial. E acredite, tem muita gente fazendo isso por aí. Seja pela influência tecnológica que conseguiu a proeza de colocar 1000 músicas no seu bolso ou de transformar 500 livros em uma telinha que pesa 50g, seja pela crise na economia mundial ou simplesmente pelo fato das pessoas terem começado a repensar alguns de seus valores, criou-se uma legião de adeptos ao movimento que compartilham em blogs e sites a experiência e as benesses que uma vida minimalista pode proporcionar.

Talvez por ingenuidade ou arrogância, acreditei veementemente que eu passaria ilesa ao processo de redução material que inevitavelmente eu teria que fazer para embarcar na viagem. Sentia-me totalmente confiante de que eu não dependia emocionalmente de nenhum objeto que eu fui adquirindo e carinhosamente entulhando na minha casa.

Há alguns dias, dei início ao processo de derreter para moldar. Eu sabia que os bens materiais precisavam ir para que eu pudesse dar espaço (físico e emocional) a essa experiência que tão conscientemente eu escolhi para a minha vida. Era a hora de enfrentar o monstro do entulho, escolher apenas o essencial e deixar ir aquilo que não me servia mais.

Ainda procuro as palavras exatas para descrever o sentimento que tomou conta de mim ao constatar aquilo que eu neguei durante todo esse processo: eu era uma acumuladora. Não daquelas que vivem rodeadas pelo lixo, em casas onde mal se pode caminhar, como vemos naqueles programas americanos bizarros, mas daquelas que se sentem mal por jogar no lixo um imã de geladeira quebrado!

Calma lá! Aconteceu algo importante naquele momento e eu precisava parar para entender. O que mesmo aquele imã quebrado iria fazer por mim? Onde, em que planeta, tempo e espaço, aquele objeto inanimado, que nem ao menos podia ser usado para decorar a geladeira, iria fazer tanta falta em minha vida? A lembrança da frase da minha mãe veio como um saco na boca do estômago: “Guarde, você pode precisar disso um dia”.

A cultura da acumulação e do consumismo está tão enraizada em nossa rotina que dificilmente nós nos damos conta do quanto esse monte de tralha que vamos acumulando nos deixa mais pesados, física e emocionalmente. Gastamos nosso dinheiro com coisas que não precisamos, muitas vezes apenas para preencher um vazio emocional e nos tornamos mais ansiosos por ter que gerenciar tudo aquilo que acumulamos, além de perder tempo, é claro.

Levantei, colei a perna da bonequinha do imã e coloquei na caixa de doações com o coração mais leve e a mente mais consciente. Coloquei uma música bem alta na sala e fui tirando toda a poeira acumulada, em mim e nos objetos.

Que tal começar devagar? Será que realmente você precisa do que não precisa?

Vamos às dicas:

– Separe roupas que não servem mais para doação. Alguma precisa de ajuste? Separe para consertá-la.

– Responda honestamente – você vai ler novamente aquele livro empoeirado na estante? Doe livros que não quer mais para algum amigo ou biblioteca. Se não deseja doar, procure em sua cidade feiras de trocas de livros.

– Junte a papelada velha (contas antigas, cadernos de aulas e textos da faculdade) e coloque para reciclar. Não adianta manter papel sem utilidade ocupando espaço. Acha que vai precisar consultá-lo um dia? Considere escaneá-lo e guardá-lo no computador.

– Destralhe seu banheiro: maquiagens velhas, remédios vencidos, tenho certeza que no seu banheiro tem! Não esqueça de fazer o descarte correto!

– Tem algum produto ainda na validade, mas que você não gostou muito? Sempre há um amigo que gostaria de experimentar. Doe!

– Tem aquele faqueiro guardado há 10 anos para um momento especial? Coloque-o em uso. Todo dia da sua vida é especial!

– Ainda tem aquele monte de CD e DVDs juntando pó na estante? Que tal fazer um artesanato bacana? Digite “artesanato CD” no google e divirta-se!

– Quantos pratos, copos e talheres você tem? A quantidade corresponde ao número de moradores? Doe o excesso! Quanto menos utensílios, menor a pilha de louças que acumulam sobre a pia.

– Pra que guardar 20 copos de requeijão e mais 10 de sorvete? Doe! Há muitas ONGs, principalmente de animais, que fazem bom uso destes recipientes.

E você, tem alguma dica para ajudar os outros a “destralhar” a vida?

ass-larigrande

Para saber mais, acesse aqui.

Crédito das fotos © Gregg Segal




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