História Nômade

História Nômade: o casal que deixou a rotina para ajudar pessoas a viajar

Como nosso objetivo é inspirar, aqui no Nômades Digitais abrimos espaço também para ouvir histórias de pessoas que correram atrás dos seus sonhos e hoje conseguem trabalhar e viajar pelo mundo ao mesmo tempo ou simplesmente decidiram passar um tempo da suas vidas desbravando esse mundão. Os convidados de hoje são Manu e Rapha, um casal que trocou o dia a dia nas agências de comunicação para ir atrás de uma vida com mais liberdade. Juntos lançaram a Plot, que tem o objetivo de inspirar as pessoas a viajar, ao contar histórias e organizando roteiros personalizados. Em março deste ano partiram para a primeira Expedição Plot, na Ásia, onde exploram cada detalhe das paisagens e cultura que o continente oferece e compartilham tudo no site e nas redes sociais.  Conheça a sua história:

Saí do lobby supercool de uma importante agência de publicidade, entrei no carro, arremessei meu salto pro banco de trás e dirigi pela Marginal chorando compulsivamente. Nunca vou esquecer daquele dia: o dia em que me senti perdida de verdade.

Você já se sentiu assim?

Em abril de 2012, bem empregada, mas já desencantada da vida de escritório, decidi passar um ano viajando pela Europa. Com minha base montada em Paris, eu aproveitava as passagens baratas do continente para conhecer tudo o que podia. Viajei pela primeira vez sozinha, mais de uma vez. Fui ao Marrocos, Israel, Tailândia e inúmeras cidades na Europa. Descobri o sentido de viajar e quão transformadora essa experiência pode ser.

Manu-Paris

Paris, França

Manu-Marrocos

Marrocos 

Na volta ao Brasil, pela primeira vez desde que me conheço como gente, eu fui mal nas entrevistas e tive dificuldades de encontrar um emprego. O problema não era, eu sabia, a minha experiência, meu conhecimento ou minha aptidão para o cargo. O problema era meu desejo de trabalhar naquelas agências. Por mais que tentasse, não conseguia me mostrar super interessada – isso significava perder de novo o controle sobre a minha vida e submeter todas as minhas horas à disposição de uma empresa. Fim de semana, madrugada, feriado – eu só os teria para mim, se a empresa não precisasse deles para si. Eu não conseguia tirar isso da minha cabeça.

Foi em uma dessas entrevistas frustradas que aconteceu o dia em que me senti perdida de verdade. Era um lugar muito legal, em que eu adoraria trabalhar, que tinha um modelo de equipe superinovador, com pessoas muito interessantes. Mas que, assim como os outros, não bateu forte em meu coração pois, das coisas que me empolgavam genuinamente, trabalhar em um escritório não era uma delas, por mais interessante que o escritório fosse. E isso ficava claro para os entrevistadores.

Por sorte, meu bom network me rendeu um freela, que depois se transformou em um emprego fixo. E aí eu comecei a namorar o Rapha.

Também apaixonado por viagens, o Rapha tinha suas próprias frustrações com o modelo de trabalho. Eram frustrações menos dramáticas (homens!) pois ele conseguiu, com seu cargo de confiança, conquistar certa flexibilidade para controlar melhor seus horários. Era uma relação de tempo um pouco mais justa e, sempre que dava, ele escapava nas suas viagens. Nenhum tempo disponível era pouco para conhecer um lugar novo e, assim, ele pegava um feriado para ir ao Jalapão, outro para conhecer a Amazônia, um fim de semana para uma praia no Nordeste.

Rapha-Jalapão

Jalapão, Tocantins. 

Rapha-Amazônia

Amazônia

Estávamos planejando nossas primeiras férias juntos, que seria na Tailândia, mas não conseguíamos fechar um roteiro. Um mês era pouco tempo para tudo o que queríamos e seria uma pena ir até a Ásia para conhecer só um pouquinho. Então o Rapha sugeriu pedirmos demissão e passarmos três meses explorando o continente. O plano era trabalhar e juntar o máximo de dinheiro possível para partirmos em nossa aventura mágica.

Pouco depois, chegamos a uma conclusão: se a gente vai pedir demissão para ficar três meses fora, porque não ficamos um ano? E, se a gente vai pedir demissão, porque não tentamos encontrar uma forma de ganhar dinheiro e fazer uma vida enquanto viajamos?

Além de fazer freelas nas nossas áreas de atuação, resolvemos abrir um negócio online. Depois de muito pensar, rabiscar e pesquisar que negócio poderia ser esse, decidimos por uma consultoria de planejamento de viagens: é o que mais gostamos de fazer, é algo que sabemos fazer bem, e é algo que poderíamos fazer de qualquer lugar do mundo.

Os nove meses seguintes foram difíceis: trabalhávamos nas agências durante o dia e, à noite, trabalhávamos na nossa empresa. A Plot estava nascendo e isso era muito cansativo, mas extremamente recompensador.

Valendo!

Um belo dia, meio sem avisar, o dia da viagem chegou e nós embarcamos em um vôo para a Tailândia. O começo foi difícil. Lançamos a Plot poucas horas antes de embarcar, e chegamos em Bangkok já com muito trabalho a fazer (e prática nenhuma nesse trabalho), um desejo enorme de explorar a cidade e bastante jetlag. Foi demais. Eu fiquei tensa e estressada, de tanta ansiedade. Dormíamos às 4h da manhã quase todos os dias. Fomos descobrindo tudo na prática: os processos, os melhores horários para trabalhar, quanto tempo cada tarefa demandava. Hoje, considero um erro ter lançado a empresa tão perto de viajar e, para quem quer fazer o mesmo, sugiro começar devagar, e aprender qual é seu fluxo de trabalho antes de se jogar no mundo.

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Railay, Tailândia. 

Nossa experiência na estrada

Passamos quase três meses na Tailândia e comprovamos que sua popularidade entre os nômades digitais não é à toa: é fácil e barato viajar pelo país; a internet funcionou bem o tempo todo; a comunicação é fácil e o país é acolhedor. De lá, fomos para Singapura, Malásia, Indonésia e Filipinas, onde as coisas são um pouco mais difíceis, mas conseguimos nos virar.

A Plot acabou crescendo e se tornou mais do que uma consultoria de viagens: com o propósito de inspirar as pessoas a viajar, nosso objetivo é incentiva-las a desbravar o mundo com um olhar para as experiências e histórias incríveis que as viagens proporcionam. No site, contamos diversas dessas histórias, tanto nossas, quanto de outros brasileiros. No Instagram, a gente mostra fotos do nosso dia a dia pela Ásia. O Snapchat (mundoplot) é onde contamos os perrengues e as curiosidades que encontramos no caminho. No Facebook tem tudo isso junto. E, com a consultoria, conseguimos direcionar as pessoas de um jeito mais prático, ajudando-as a escolher um destino de viagem e a montar seus roteiros, sempre de forma customizada.

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Koh Lipe, Tailândia. 

A realização de um sonho 

O que mais nos marca, nesses 5 meses de estrada, são as pequenas coisas que demonstram que temos muito mais felicidade e qualidade de vida. É o ritmo com que fazemos uma refeição, muito mais calmo e tranquilo; a abertura para falar com estranhos, que antes quase não havia; a ansiedade que despencou a níveis quase nulos; o sorriso que ficou mais fácil; os pertences de que não precisamos mais – todos sinais de uma vida, antes estressada, corrida e carente por recompensas, hoje satisfeita e tranquila.

Não é moleza. Tem dias em que precisar ficar no hotel trabalhando em vez de fazer aquele passeio incrível pelas ilhas das Filipinas dói o coração. Em outros, temos inveja dos turistas que podem ficar de papo pro ar sem preocupações nos verdadeiros paraísos em que visitamos. Mas tudo isso vai embora rapidinho quando pensamos na alternativa. Acho que sonhos são assim: é preciso perseverança e força de vontade para conquistá-los.

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Koh Lipe, Tailândia. 

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Koh Jum, Tailândia. 

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Koh Tao, Tailândia. 

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Koh Tao Koh Nang Yuan, Tailândia. 

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Koh Tao Aow Leuk, Tailândia.

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Yogyakarta, Indonésia. 

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Yogyakarta, Indonésia. 

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Monte Bromo, Indonésia. 

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Borobudur, Indonésia. 

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Bali, Indonésia. 

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Perhentian Islands, Malásia. 

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Cameron Highlands, Malásia. 

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Marina Bay, Singapura. 

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Mac Ritchie, Singapura. 

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Singapura.

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Port Barto, Filipinas.  

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El Nido, Filipinas.

Todas as fotos © Manu e Rapha

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Você pode acompanhar o projeto Plot através do site ou no Facebook.

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