Viagem

Lições que aprendi ao descer de um toboágua de 41 metros de altura

Sempre quando nos perguntam qual o segredo para termos conseguido chegar até aqui – ter largado carreiras que não nos satisfaziam mais, criar 3 blogs que juntos somam 10 milhões de visitas todo mês, trabalhar dos lugares mais incríveis do planeta – a nossa resposta é a seguinte: “Ir em frente. Se sentir medo, vai com medo mesmo.” Acreditamos que esse pensamento tenha sido um dos responsáveis por termos conseguido chegar em um lugar que muita gente julgava ser impossível alcançar. Essa regra vale também para todas as outras áreas da vida. Sabe quando bate aquele frio na barriga, aquela tremedeira nas pernas, aquela sensação de deus-me-ajude? Geralmente as melhores recompensas chegam depois que conseguimos passar pelas situações que nos amedrontam e percebemos que continuamos ali: firmes e mais fortes do que nunca.

Semana passada, eu e o Eme fomos convidados para conhecer o Beach Park – o maior parque aquático da América Latina, que fica bem de frente para a paradisíaca praia de Porto das Dunas, em Fortaleza. Quem acompanha o Nômades Digitais, já deve ter percebido que eu (Jaque) morro de medo de altura. Definitivamente não sou fã da sensação de adrenalina. Aquela sensação pré-morte que sentimos quando estamos em queda livre ou em algum brinquedo muito radical nunca me agradou. A verdade é que sempre dei um jeito de fugir dessas coisas – geralmente colocando o Eme para ir no meu lugar, com a desculpa de que eu fico filmando. Dá certo muitas vezes. Lá no Beach Park, não foi diferente: me vi diante de vários toboáguas, sendo que o mais radical do parque tinha uma queda livre de 41m de altura que levava somente 5 segundos para ser percorrida. O Insano, toboágua que tem um nome bem apropriado por sinal, me desafiava lá de cima, enquanto eu me questionada: “Ok, estou eu aqui diante de mais uma coisa que me amedronta. E aí, vou fugir? E aquela história que eu sempre repito que se der medo, vai com medo mesmo? Para onde foi essa coragem toda?”

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Nos quatro dias que ficamos em Fortaleza, visitando o parque, esse questionamento não saiu da minha cabeça. O Eme foi no Insano, e a gente foi em vários outros toboáguas, bem radicais também. Mas eu fugia toda hora do Insano. A ideia de subir aqueles 41m e descê-los em somente 5 segundos já me dava vontade de sair correndo. Ao mesmo tempo, eu questionava: “vai deixar ele te vencer mesmo?” É aquela hora em que as vozes dos anjinhos e diabinhos deixam qualquer um maluco! Ir ou não ir? Essa era a questão.

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O medo ganhou durante toda a nossa estada por lá. Eis que no último dia da viagem, faltando somente 20 minutos pro parque fechar, eu falei: “É agora ou nunca, Jaque.” Entoava o mantra “Se der medo, vai com medo mesmo.” enquanto subia cada degrau. O Eme me esperava lá embaixo, nos banquinhos reservados para os amigos acompanharem de camarote a chegada dos malucos que topavam encarar o Insano de frente. A vista lá de cima era fantástica. O parque, as praias, os coqueiros. Queria admirar mais, mas quanto mais olhava, mais tinha a sensação de que iria desmaiar lá de cima. Meu medo só aumentava conforme ia me encontrando com pessoas que saiam da fila, que desistiam ali na hora H, enquanto a galera da fila ajudava bastante entoando frases como “arregou, arregou” ou então “vai morrer, vai morrer“.

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Tinha chegado a minha hora. Meu coração saltava na garganta. Já não sentia direito as minhas pernas. Minhas mãos suavam geladas mesmo debaixo de um calor de 30 graus. Achei que iria desmaiar e despencar lá de cima. O instrutor me pediu para sentar. Cruzar os braços por detrás da cabeça. Cruzar as pernas. E não descruzar por nada. “Quando estiver pronta, pode dar o impulso”.

O impulso.

Aquele que te separa dos seus sonhos. Ou você cria coragem e vai, ou a falta de impulso vai te manter do outro lado do seu sonho, se sentindo covarde, derrotada, pequena.

Achei que não conseguiria. Quando já me movia para desistir e dar um passo de volta para trás, me lembrei do mantra: “Se der medo, vai com medo mesmo.”

Fechei os olhos e dei o impulso que me levou para um dos 5 segundos de maior adrenalina da minha vida. Depois de achar que iria morrer, só me lembro de sentir a água no rosto e o meu corpo caindo numa piscina. Abri os olhos e vi um monte de gente me olhando e o Eme me dando aquele sorriso orgulhoso que eu adorava receber.

Eu tinha conseguido. A sensação de ter enfrentado o medo e de ter sobrevivido era indescritível. Não conseguia tirar o sorriso do rosto. Me deu até vontade de ir de novo. Assim como na maioria de novas decisões na vida, você só precisa dar o impulso. O resto você descobre como fazer no caminho. E geralmente a trajetória é muito menos assustadora do que você poderia imaginar.

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O Sol se punha vermelho no horizonte indicando que o último dia da viagem para Fortaleza tinha chegado ao fim. Era muito boa a sensação de sair de uma experiência mais forte do que quando você tinha chegado. O que nos separa dos nossos sonhos é mesmo somente o salto. Enquanto aproveitava as últimas horas de luz para dar um mergulho na Praia de Porto das Dunas, me lembrava de uma frase que tinha ouvido uma vez e que naquele momento fazia todo o sentido: “Corajoso não é aquele que não tem medo. Corajoso é aquele que tem medo, mas mesmo assim pula.” 

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Para saber mais sobre o Insano e sobre o Beach Park, clique aqui.




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