História Nômade

História Nômade: quanto vale uma volta ao mundo?

Como nosso objetivo é inspirar, aqui no Nômades Digitais abrimos espaço também para ouvir histórias de pessoas que correram atrás dos seus sonhos e hoje conseguem trabalhar e viajar pelo mundo ao mesmo tempo, ou simplesmente decidiram passar um tempo de suas vidas desbravando esse mundão. A história de hoje é a de Giuliana e Maurício. Escreve ela.

Há padrões que são tradicionalmente chancelados pela sociedade que não mudam muito, apesar das constantes mudanças ocorridas nas últimas décadas. Namorar, ficar noivo, casar, comprar um apartamento, começar a poupança para a chegada dos filhos, e assim por diante.

Eu e meu marido decidimos inverter um pouco essa possível “lógica”, ou melhor, o padrão das ações esperadas após o casamento. Ao invés de economizar para comprar um apartamento e se estruturar para a chegada dos filhos, resolvemos viajar pelo mundo por 500 dias. No primeiro momento isto pode soar meio maluco. Largar tudo e ir viajar? Mas na verdade, não estamos largando nada; estamos optando por um investimento cujo retorno não é financeiro, e sim espiritual.

Já imaginou o quanto você pode aprender com uma viagem como esta? Se até alguns membros de Harvard já entenderam que a melhor forma de aprender é viajando pelo mundo, quando fundaram em 2013 a Universidade Minerva, porque não fazer isso por conta própria?

Claro que requer planejamento, principalmente financeiro. Nós juntamos nossas economias e definimos um orçamento diário de U$150 para o casal, incluindo tudo o que precisamos. Com base nisto vamos buscando as opções de hospedagem, transporte e alimentação em cada local. Há lugares que nosso orçamento é bastante apertado, mas há outros que é bem razoável. O segredo é o equilibro e controle dos gastos.

Definimos um roteiro fazendo uma lista de todos os países que gostaríamos de visitar, considerando a estação do ano e o melhor período para estar em cada local. Como são muitos dias de viagem, vamos fazendo as reservas aos poucos para controlar o orçamento e garantir os vistos quando necessário.

Mas, além do planejamento, para embarcar numa aventura como esta, é preciso estar disposto e aberto para vivenciar novas culturas, conviver com diferentes costumes e se adaptar aos hábitos de cada local.

Na minha opinião, ser turista é diferente de ser um viajante. O turista busca atrações principais, roteiro dos cartões postais, pacotes de férias, visitas monitoradas e hotéis confortáveis. O viajante busca histórias para contar, pessoas para conversar e lugares para serem explorados. São apenas tipos de viagens diferentes, que todo mundo deveria experimentar. Quem nunca voltou de férias e falou “Precisava de outras férias!”. Justamente porque viajar é um aprendizado incrível. Nosso cérebro não para com tanta informação nova para absorver.

Não foi fácil sair da nossa “zona de conforto” para embarcar nessa aventura. Eu trabalhava em um dos maiores bancos no Brasil e o Maurício, meu marido, como advogado, estava repleto de clientes importantes. Vou confessar que exigiu uma dose extra de coragem, mas a recompensa tem sido extremamente gratificante.

O que mais me encanta em uma viagem como esta é a possibilidade de entender diferentes contextos, vivenciar novas culturas e conhecer pessoas. Há muitos problemas neste mundo: pobreza, miséria, falta de água e de energia, doenças que ameaçam populações, analfabetismo, desperdício de comida, centenas de espécies que estão ameaçadas, florestas sendo derrubadas, falta de tratamento adequado do lixo, entre tantos outros. Mas também há soluções e, principalmente, pessoas fazendo algo para lidar com esses problemas. É exatamente isso que buscamos: histórias. Histórias que nos inspiram ou nos fazem aprender a construir um planeta melhor para todos nós.

Uganda-próximo-ao-Lake-Buyone

Por isso, criamos o projeto Histórias pelo Mundo. O objetivo é conhecer lugares com o olhar de um viajante que quer conhecer o contexto local, o modo de vida e comportamento das pessoas de cada país.

Estamos há cinco meses na estrada; saímos do Brasil em agosto e passamos pelos Estados Unidos para comprar alguns acessórios importantes (que lá são melhores e mais baratos), seguimos para Europa e agora estamos na África. Ainda temos o ano de 2015 inteiro pela frente, rumo à Ásia e Oceania, completando, no fim, com a volta na América do Norte.

Considerando apenas estes primeiros meses, vou confessar: eu nunca imaginei passar uma noite do deserto do Saara, andar de camelo por mais de 2 horas, ter um pneu furado no meio da estrada em Marrocos, achar uma coxinha de frango deliciosa no meio de Paris, aprender com os suíços a fazer coleta seletiva, voar pelo céu da Capadócia, entrar em uma cidade subterrânea, ver um pequeno ciclone na Sicília, ficar 2 dias sem tomar banho, ver um leopardo comer um viado, encontrar gorilas a menos de 5 metros de distância, emocionar com crianças dançando no escuro enquanto faltava energia, passar a noite em uma tenda no meio da savana sem cercas ao redor, escutando os barulhos mais estranhos e tentando imaginar quais animais estavam ao nosso redor. É, tem sido uma experiência incrível!

Marrocos---Deserto-do-Saarah

Vacas-na-Suiça-1

Você sabia que…?

Em Barcelona há um festival em que todos os moradores do bairro de Gracia utilizam materiais reciclados para enfeitar suas ruas transformando o bairro numa grande festa para toda a família? Na Suíça, você pode comprar verduras e legumes direto da horta literalmente, sem vendedor? Você colhe e deposita as moedinhas em um barril. Em Zanzibar, o sonho de qualquer criança é ter uma bola de futebol? No Quênia, depois do casamento, as mulheres devem fazer um curso para aprender a cuidar de seus maridos? O curso é dado pelas mulheres mais velhas da região. Em Uganda, o aumento do turismo para visitar os gorilas em seu habitat natural tem ajudado a preservar essa espécie em extinção? Em Pamukkale, na Turquia, o problema de falta d’água é grave, mas ainda assim é possível se deliciar com as piscinas naturais de água termal?

E você, já se imaginou viajando ou aprendendo pelo mundo? Convido você a experimentar a sensação de ser um viajante. Calma, não precisa sair largando tudo. Mas, na sua próxima viagem, mesmo que seja por poucos dias, procure explorar mais a cultura local, converse com os moradores da região, permita-se se perder pela cidade sem ficar estressado, coma coisas “estranhas”, seja curioso, entre nos lugares vazios que, às vezes, guardam ótimas surpresas e, principalmente, não tenha medo. Permita-se explorar, conhecer e entender o contexto do local.

Algumas pessoas nos disseram “Mas e depois, o que vão fazer?”. Temos certeza que ao final da viagem teremos bagagem suficiente para explorar novas oportunidades em um mundo inteiro de opções. Mas, até lá, temos muitas histórias pela frente, e se quiser nos acompanhar nessa jornada, é só seguir as direções abaixo:

SITE: Histórias pelo Mundo

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Quênia-no-lago-Naivasha

Praia-de-Nungwi-em-Zanzibar

Pamukkale-na-Turquia

No-Serengueti---Tanzânia

No-Serengueti

Na-estrada-da-Uganda

Meninos-no-Quênia

Ilha-de-Santorini-na-Grécia

Festa-Gracia-em-Barcelona

Em-Taormina-na-Sícilia---Itália

Mauricio-e-Giuliana-em-Nova-Iorque

Crianças-em-Uganda

Futebol-na-praia-em-Zanzibar

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Todas as fotos © Histórias pelo Mundo

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