História Nômade

História Nômade: a viagem de bike pela Europa que transformou a minha vida

Como nosso objetivo é inspirar, aqui no Nômades Digitais abrimos espaço também para ouvir histórias de pessoas que correram atrás dos seus sonhos e hoje conseguem trabalhar e viajar pelo mundo ao mesmo tempo, ou simplesmente decidiram passar um tempo da suas vidas desbravando esse mundão. A história de hoje é a de Pedro Vianna. Vale a pena ler.

Em meio as crises é quando aparecem as melhores oportunidades! Acredito nisso e, de certa forma, foi assim que começou minha relação e paixão por viajar de bicicleta. Durante um período da minha vida, eu me tornei tudo que não quero ser, uma pessoa acomodada, distante dos amigos e sem grandes desafios. Foi preciso o término de um relacionamento para eu voltar a ser quem sempre fui.

Logo após a aparente “badnews” eu assisti um TED na minha universidade onde o arquiteto Argus Caruso contou um pouco de sua volta ao mundo de bicicleta, e fiquei fascinado. Viajar sempre foi uma paixão, mas confesso que mesmo andando muito de bicicleta, nunca fui louco por pedalar.

Meses se passaram desde essa palestra. Estava há um tempo me reencontrando quando descobri a bicicleta fixa. Testei a de um conhecido, vi uns vídeos e comprei a minha usada. Sabe aquele amor à primeira pedalada?! Foi tipo isso!

Explicar o que é uma bike fixa é um pouquinho difícil mas vou tentar: basicamente, é um tipo de bicicleta que oferece maior controle para quem está pedalando. Você pode, por exemplo, pedalar para trás, ao contrário das bikes comuns. Ou seja, a sua bike só vai estar em movimento se você estiver pedalando. Portanto, a velocidade e a hora de parar são controlados exclusivamente por suas pernas, sendo que assim não há necessidade de um freio traseiro. Além disso ela tem apenas uma marcha. Quando estou pedalando, a sensação é única, o controle que tenho é absurdo. Era o que faltava para eu finalmente resolver viajar de bicicleta!

Eu não tinha como simplesmente sair por aí viajando um ano ou dois, deixando tudo para trás; tanto por não ter grana, quanto por não ter terminado a faculdade. Mas eu precisava viajar de bicicleta mesmo assim. Resolvi então que iria nas férias da faculdade, de Barcelona até Roma passando pela costa sul da França.

Busquei um estágio e comecei a juntar dinheiro com oito meses de antecedência. Pra me manter focado, criei um nome para o projeto e comecei a escrever sobre a minha preparação no blog que criei, o Eurofixie. Com ele, consegui parceiros que me ajudaram muito, principalmente na parte da preparação física, já que a bike fixa só tem uma marcha e eu precisava estar preparado para subir as ladeiras que viriam pela frente.

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Depois de meses, finalmente chegou a hora da aventura!

Desmontei a bike, arrumei tudo, peguei o voo e, sozinho, fui rumo a Barcelona. Após uns dias conhecendo e me encantando com a cidade, coloquei tudo na bike e parti.

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Quando comecei a pedalar para Tossa de Mar, eu estava com medo e muito inseguro. No decorrer das pedaladas, fui me acalmando e entendendo como pedalar pode ser terapêutico. Estava preocupado por usar apenas o iPhone como mapa, GPS e computador, mas não tinha muito erro – era só olhar pro mar, ir para a esquerda e curtir a brisa no rosto.

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Logo nos primeiros dias, encarei ladeiras que exigiram muita superação. O único conforto de uma subida é saber que logo vem uma descida. Minha viagem foi desenrolando e, em poucos dias, atravessei a Catalunha.

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Chegando na França, a comunicação ficou complicada, já que eu não falo e nem entendo nada de francês. Mas quem tem boca vai a Roma e essa era a ideia desde o início. Com alguns dias de França já estava me virando bem. E sabe aquela história de que os franceses odeiam quem fala inglês? Então, não foi bem assim, ninguém foi mal educado comigo. ‘Tá bom que eu não fui a Paris, mas mesmo assim, isso pra mim é lenda. Acho que está mais ligado a maneira como você aborda a pessoa.

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Na França, pedalei o maior percurso em um só dia: 140 km’s. Foi muito desgastante, eu pedalava, pedalava, pedalava, e nunca chegava. Quando entrei na cidade de Carcassonne e achei que finalmente tinha chegado, descobri que meu albergue era a 10km dali. Pedalei todo o último percurso com muita raiva por ter reservado um lugar longe, mas quando cheguei lá fui muito bem recepcionado.

O dono do albergue me falou que tinha um restaurante a cinco minutos de bicicleta e eu poderia comer muito e ficar bêbado. Fui até lá e paguei 13 euros por buffet a vontade, pato, batata, garrafas de vinho a vontade, queijos, sobremesa e um cafezinho no fim. Eu estava exausto e com muita fome quando cheguei na vila, esse achado foi tudo que eu precisava!

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Depois de grandes momentos na França conhecendo lugares que respiravam arte, como Arles, cidade onde Van Gogh morou, ou Aix en Provence, onde Cezanne passou muito tempo de sua vida, era hora de entrar no país mais esperado por mim, a Itália!

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Além de paisagens maravilhosas, uma galera muito simpática e receptiva, a Itália tem uma gastronomia muito além de pizza e pasta. Cada região tem sua especialidade: você vai a Liguria e tem que provar as foccacias ou o pesto genovese, enquanto em Roma, o prato obrigatório é a famosa carbonara.

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Tive a experiência mais emocionante da viagem na Itália. O sol estava forte e uma subida muito íngreme me esperava. Com a perna direita empurrava o pedal pra baixo, com a esquerda puxava pra cima e vice versa. Alternando os braços a cada hora, eu puxava o guidão pra cima. Coloquei muita força pra superar o percurso, o suor escorria pela testa, braços e todo corpo. Teve um momento que cheguei a ficar tonto, mas me hidratando muito bem deu tudo certo.

Assim que cheguei ao topo da primeira e mais tensa das muitas subidas, a endorfina já estava alta e me emocionar foi inevitável. Foi uma mistura de felicidade, sensação de vitória, gratidão e todos os sentimentos bons impossíveis de serem expressados com palavras. Todo arrepiado, e com lágrimas escorrendo pelo rosto, acho que era esse tipo de feeling que eu procurava quando tive a ideia de fazer essa viagem.

Após o percurso, chegando à cidade de Chiavari, encontro um camping em frente a uma praia e fico por ali o resto do dia… Maravilhoso!

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Quase no fim da viagem, perdi meu cartão com todo o dinheirinho suado, mas já estava tão vacinado que mantive a calma. Fiquei uma semana com o que eu tinha no bolso até chegar o cartão novo. Vi que dá pra gente se virar com muito menos do que imaginamos.

Esse tipo de experiência te transforma, faz você repensar os seus valores, perceber o país e a cultura do lugar com muito mais atenção e sensibilidade, além de te tornar uma pessoa mais confiante.

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Essa foi apenas a primeira de muitas viagens minhas de bike. A próxima já está nascendo, pelo menos em pensamento, e agora eu já sei o caminho das pedras pra conseguir realizar mais um sonho. Na vida eu busco isso, viver um desafio atrás do outro, ter metas que mudem sempre, pequenas ou grandes. E, óbvio, sempre encaixando viagens, pois minhas raízes são no Rio de Janeiro mas meus sonhos são no mundo.

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Para acompanhar Pedro Vianna e conhecer melhor esse projeto, siga o site do Eurofixie ou a página no Facebook.

Todas as fotos © Pedro Vianna

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