Tecnologia

Estes quatro nômades digitais escolheram deixar seus países para ir morar em Belo Horizonte

São quatro homens, três norte-americanos e um irlandês, com idades e passados diferentes. Josh, Vincenzo, Niall e Turner têm, no entanto, algo em comum: podendo trabalhar de qualquer parte do mundo, graças ao poder da internet, escolheram o Brasil e, mais precisamente, a capital de Minas Gerais para desfazer as malas e tentar entrar numa nova cultura. O motivo principal? Os mineiros.

Josh Plotkin nasceu na Califórnia e depois de cursar economia na universidade local e trabalhar no negócio da família, decidiu criar a própria empresa. Mas havia um problema: a ideia de ficar preso a um negócio nos Estados Unidos e deixar de lado tudo o resto que o mundo tem para oferecer. Foi por isso que decidiu largar o que tinha e ir trabalhar para uma fazenda no México. Nada fazia prever que um dia Josh acabaria morando no Brasil, nem mesmo os primeiros dias em que ele visitou o país, a convite do irmão: “eu falava espanhol fluentemente, mas mesmo com isso, o português me soava muito estranho”. Além disso, “os brasileiros pareciam super confiantes e falavam realmente alto. Foi meio intimidante no começo”.

Mas depois de ter visitado São Paulo e Rio de Janeiro e de ter morado dois meses em Vitória, Espírito Santo, Josh chegou a Belo Horizonte [BH] e, “desde o primeiro momento em que pus os pés na cidade, eu soube que ela seria minha casa”.

O norte-americano, responsável por um blog para ajudar estrangeiros a aprender e a se adaptar ao Brasil, o Brazilian Gringo, diz que nada aquece mais seu coração do que ouvir o sotaque mineiro e que este é, dos nove estados do Brasil onde já esteve, o povo mais quente e amigável do país. “Eu espero visitar o resto dos estados só para confirmar que é verdade que os mineiros são os mais simpáticos do Brasil”.

JOSH1Antes de se fixar em BH, Josh teve oportunidade de viajar pelo Brasil. Na foto acima, Josh descobrindo o rio Amazonas.

E Josh não está sozinho nessa. Vincenzo Villamena é de Nova York e era lá que tinha seu emprego de sonho, na área financeira. A verdade é que, 6 meses após ter cumprido esse sonho, Vincenzo percebeu que, afinal, não era isso que queria para da vida. Apaixonado pela América do Sul, deixou trabalho, apartamento e namorada para trás e se rendeu “à abertura, espírito, diversão e simpatia” desse povo. Começou em Buenos Aires, Argentina, e depois de 3 anos se mudou para BH.

Acho que [a cidade] tem muito valor, já que não é tão cara como o Rio ou São Paulo, mas ainda assim oferece a mesma atmosfera divertida e descontraída, com boas pessoas por toda a parte”. E é também por causa das pessoas que Vincenzo não se arrepende de viver em BH: “eu amo os Mineiros e o espírito familiar daqui. É uma cidade, mas tem uma ‘vibe’ de vilarejo e isso sabe muito bem”.

Vincenzo criou um site (o Online Tax Man) especificamente focado em tratar dos impostos nos Estados Unidos, tanto para americanos vivendo no exterior, como para estrangeiros que querem trabalhar ou investir na terra do Tio Sam. Devido à complexidade da tarefa, os serviços oferecidos por Vincenzo cresceram e hoje ele tem um time, com o qual viaja junto. Atualmente, todos vivem no Brasil, mas as dificuldades impostas pelos vistos de residência fazem com que Vincenzo tenha de sair frequentemente do país. Vive entre Brasil e Colômbia, mas diz que se os problemas burocráticos acabassem, BH seria a sua casa definitiva.

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Turner Barr tem 30 anos e vive viajando há quase uma década. Procura beleza e autenticidade por todos os lugares por onde passa e normalmente encontra. Depois conta as experiências no site Around the World in 80 Jobs, escrevendo e produzindo vídeos sobre o que vai descobrindo pelo caminho. Em alguns lugares, Turner opta por ficar mais tempo, encontrando outros trabalhos (pagos ou não, visto que a principal renda vem do site), mas principalmente tentando sentir a energia de cada lugar. Foi isso que o levou a Minas Gerais.

“Escolhi BH porque eu queria algum lugar onde me sentisse um pouco mais brasileiro, ou seja, um lugar com menos turistas. Quanto mais eu viajo, mais eu percebo como é divertido viver em lugares não-turísticos. Os moradores parecem sempre mais amigáveis nessas regiões”, diz Turner.

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Niall Doherty é o único não americano do grupo. Irlandês, de 32 anos, tem no “currículo” uma das aventuras mais desafiantes a que um viajante se pode propor – foi do país de origem até ao Brasil sem pegar um único avião (se a curiosidade apertar, pode ver o roteiro de Niall aqui). Além disso, tem um canal no Youtube que vale a pena conhecer.

Em 2011 Niall embarcou na missão de correr o mundo e há muito que o Brasil fazia parte dos planos. Apesar de a primeira impressão não ter sido a melhor (“passei quase dois dias num ônibus tentando ir da fronteira com a Bolívia até ao Rio”), o irlandês se deixou encantar pela cidade maravilhosa, mas achou que para viver durante uma temporada, Belo Horizonte seria a melhor hipótese. “Eu gosto muito daqui. Todo mundo é super amigável, não é tão loucamente caro como o Rio, o clima é perfeito, e as mulheres são bem bonitas”, ri-se Niall.

A Niall, que trabalha com software e webdesign na internet, só falta aprender português para aproveitar o melhor de viver no Brasil, mas já vai dizendo que a qualidade de vida no país, e principalmente em BH, é difícil de bater.

NIALL3A primeira parada de Josh no Brasil foi o Rio de Janeiro, do qual ele diz ter também boas recordações.

Belo Horizonte em poucas palavras

Desafiamos nossos convidados a responder em poucas palavras às seguintes perguntas: as 5 coisas que mais gostam em BH, os 3 lugares onde mais gostam de estar e se recomendariam o Brasil para os amigos gringos. As respostas você pode conferir abaixo:

Josh

Do que gosta:

1. Do português mineiro, de que Josh tanto sente falta quando viaja por outras regiões do Brasil;

2. Do povo mineiro, que considera o melhor do país;

3. Da cultura empreendedora – “a razão pelo qual eu sou tão entusiasta em relação a BH é porque a cidade está tentando se tornar a capital dos empreendedores digitais no Brasil. Estar em BH significa estar rodeado de mais pessoas com ideias malucas de como mudar o mundo acrescentando valor”;

4. Da cultura mineira – “eu vivi 6 meses no Rio e sinto que a cultura mineira é bem mais complexa e difícil de entender. A maioria dos estrangeiros apenas a conhecem superficialmente, e poucos conseguem realmente aprofundar e tentar compreender o que faz os mineiros serem como são. Eu gosto disso em BH, porque parecendo simples à superfície, é uma cidade realmente complexa”;

5. Da Praça da Estação – “eu gosto quando, no verão, a cidade gira em torno das fontes da Praça e aparece alguém dirigindo um caminhão de bombeiros e jogando água para cima das pessoas. Me sinto como uma criança de novo” (se quiser saber mais sobre a iniciativa, veja este vídeo).

3 spots preferidos na cidade:

“Em vez de falar de lugares turísticos comuns, prefiro mencionar 3 lugares essenciais para um nômade digital em BH”:

1. Samba Rooms Hostel – “É o melhor hostel em BH e fica perto do escritório da SEED. O staff é super legal, a conexão wi-fi é boa e a decoração é inspiradora”.

2. Hotmart – “Muitos dos nomads digitais brasileiros não teriam conseguido construir seus negócios independentes se não fosse a plataforma Hotmart. Eu tive muita sorte de poder trabalhar junto da equipe deles”.

3. Rock Content – “Uma das minhas startups favoritas em BH é a Rock Content. Cada vez que eu falo com o Edmar, parece que ele está se mudando para um novo escritório para ter espaço para todos os funcionários. Qualquer viajante empreendedor que passe por BH deve tentar conhecer o pessoal da Rock Content”.

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Vincenzo

Do que gosta:

1. Das pessoas;

2. Da comida;

3. De ser fácil se locomover;

4. Dos botecos;

5. Da cerveja Áustria.

3 spots preferidos na cidade:

1. “’Café com letras’, um café que tem um toque parisiense que adoro”.

2. “Jângal, um bar que tem um espírito bacana e festas divertidas”.

3. “O boteco perto de mim, porque é onde eu sinto que estou realmente no Brasil”.

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Turner

Do que gosta:

1. “Eu amo os constantes mercados de rua e todas as interações. Parece que tem sempre alguma coisa rolando”;

2. “Amo também o fato de ser ‘a cidade dos bares de bairro’, o que significa que é um ótimo lugar para socializar casualmente”;

3. “Os belos parques e espaços ao ar livre. Mesmo não havendo praia ou grandes montanhas aqui, a cidade parece sempre muito verde e com muita natureza”;

4. “As mulheres deslumbrantes estão em todo o lado”;

5. “Achei os homens brasileiros super abertos e simpáticos. Em alguns países, os homens conseguem ser agressivos ou hostis para outros homens, mas o pessoal aqui parece querer mesmo criar amizades”.

3 spots preferidos na cidade:

1. “Praça da Savassi pelas esplanadas”;

2. “O Parque Municipal, que é onde me exercito com meus colegas de casa”;

3. “E gosto de todos os lugares que têm graffiti e arte de rua legal. Eu acho os brasileiros muito artísticos”.

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Niall

Do que gosta:

1. Do clima perfeito (não muito quente, não muito frio);

2. Das árvores em cada rua;

3. Das pessoas acolhedoras;

4. Das mulheres bonitas;

5. Dos mercados de rua.

3 spots preferidos na cidade:

As praças, da Savassi e da Liberdade, e o Parque Municipal também são os lugares preferidos de Niall, que diz que ainda tem muito por descobrir, já que chegou há pouco tempo à cidade.

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O Nômades Digitais quis saber também do que é que eles não gostam no Brasil. Sugerimos que fizessem uma lista de 5 coisas e quer saber o resultado? Nenhum deles consegue escolher 5 coisas de que não goste. Josh diz que a única coisa de que se consegue lembrar que não gosta “é deste hábito que as pessoas têm de focar no que está errado, em vez de focar no que está certo”, referindo que há muita coisa para apreciar no Brasil a que os brasileiros nem sempre dão o devido valor. Os outros três referem o trânsito e a forma como os pedestres são tratados como um dos maiores desafios de viver no Brasil, ao que Niall e Turner juntam os preços elevados que se praticam na maioria das cidades. Por fim, Vincenzo refere que existem poucos cafés, sendo que vários cobram pela Internet, o que dificulta a vida de um nômade digital.

No entanto, Josh, Vincenzo, Turner e Niall não têm dúvidas: o Brasil é um ótimo país para viver e todos referem como ele permite “aproveitar a vida”. As oportunidades que têm crescido no país são também um fator que qualquer estrangeiro deve considerar, mas primeiro precisa ter atenção a duas coisas: dinheiro (todos referem o Brasil como um país caro para viver) e um bom nível de português para conseguir comunicar.

Arrependimentos? Não têm.

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Todas as fotos gentilmente cedidas pelos entrevistados em exclusivo para o Nômades Digitais.

*Para ver outra história de nômades digitais estrangeiros (no caso, uma família) que decidiram vir morar no Brasil, clique aqui.

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