Viagem

Entrevista Nômade: videomaker conta como sair da zona de conforto e viver viajando

De especialista em sustentabilidade a digital influencer, o carioca Cadu Cassau teve de embarcar numa grande jornada para descobrir o que o faz feliz. Trabalhando ao redor do mundo como cinegrafista e consultor de marketing, ele procura inspirar os outros a fazerem o mesmo, com um conselho básico em mente: Se joga, cara!

Atualmente, o viajante também posta vídeos no seu canal do Youtube, contando sobre suas experiências e dando dicas fundamentais para quem está a fim de dar os primeiros passos em grandes aventuras. Escolhendo a Oceania para começar a vida de Nômade Digital, ele conta pra gente como é sua rotina, como faz pra se virar e até mesmo para ter coragem:

Nômades Digitais (ND) – E aí, cara, como que você se jogou no mundo? Quais foram seus passos antes da decisão?

Cadu Cassau (CC) – Meu primeiro mochilão se deu em 2013 e foi nele que vi, pela primeira vez, pessoas levando estilos de vida fora do padrão ordenado pela sociedade. Como por exemplo pessoas que iam trabalhando em albergues ou fazendas e viajavam aos poucos, mas por um longo tempo. Eu achei aquilo fascinante e decidi que gostaria de ter uma experiência como essa antes dos meus 30.
Comecei então a pesquisar muito sobre como viajar por tempo indeterminado, como trabalhar remotamente, como encontrar oportunidades enquanto você viaja, entre outros tópicos.
Após decidir que cairia no mundo, resolvi iniciar o meu canal no Youtube, o Se joga, cara! para compartilhar tudo que havia aprendido sobre viagem barata e também o que mais havia de vir durante a jornada.


ND – Sabemos que as pessoas, de maneira geral, têm muita insegurança de largar tudo e viajar, especialmente os que já têm filhos. O que é “ter coragem” para você?

CC – Vejo coragem como a capacidade de escutar e seguir a sua intuição. No fim das contas, sempre temos aquela pequena voz que nos diz se algo será bom ou ruim para nós, considero fundamental escutar ela para tomar decisões.

Entretanto, sair da zona de conforto, sair do padrão e da segurança do emprego comum demanda mais que coragem. De fato, existem realidades que tornam mais complicada essa decisão de  “largar tudo”. Filhos ou familiares com necessidades especiais realmente podem ser impeditivo para quem quer cair no mundo, mas acredito que tudo tem seu tempo, e cada um saberá avaliar se aquela decisão é para si naquele momento ou não.

ND – Por que escolheu a Oceania?

CC – Minhas pesquisas sobre como viajar barato e como viajar por longo tempo, me levaram a encontrar um concurso promovido pelo Governo de Queensland na Austrália procurando um Embaixador Estudantil para o Estado de Queensland. O trabalho seria basicamente viajar por 1 ano pelo estado e criar conteúdo promovendo o turismo para o público Brasileiro.
Eu nunca havia feito um vídeo na vida, decidi aprender, aplicar para o concurso, seguir com todas as etapas e acabei conseguindo o segundo prêmio, que era uma bolsa de estudos para estudar inglês na Austrália, com 1 mês de acomodação e um passeio de helicóptero em Gold Coast.Vi esse prêmio como minha oportunidade para iniciar minha jornada e cair no mundo sem data de retorno. Comprei passagem só de ida para a Austrália, acabei ficando um ano por lá e depois segui meu caminho até agora, na Índia, onde estou no momento.

ND – Quantos destinos já visitou e qual te deixa mais saudades?

CC – Antes de iniciar essa jornada com o Se joga, cara!, visitei Argentina, Holanda, Alemanha, Turquia, Grécia, Áustria, Hungria e República Tcheca. E, de longe, a Turquia é o país que eu mais gostaria de voltar para aproveitar mais e explorar aquela cultura fascinante.

Desde que iniciei essa jornada atual, já visitei Austrália, Indonésia, Tailândia, Malásia, Índia e Nepal. A Tailândia é demais e é um lugar que eu disse a mim mesmo que toparia até morar e fazer a vida lá. (risos)
Mas o Nepal, mesmo visitando por apenas 15 dias, deixou uma lembrança tão boa que, sem dúvidas, entrou para a lista dos lugares que gostaria de voltar.

ND – O que você faz além dos vídeos?

CC – Trabalho também com consultoria de marketing e social media. Apesar de ser biólogo, trabalhei com Sustentabilidade Corporativa por 5 anos no Brasil e pude aprender muita coisa sobre desenvolvimento de negócios de maneira sustentável, levando em consideração aspectos econômicos,sociais e ambientais de uma empresa.
Este background me ajuda muito no momento de identificar como posso contribuir para o desenvolvimento de uma organização e estruturar uma forma mais completa de consultoria para um cliente.

ND – Teve dificuldade de se adaptar a vida de nômade digital?

CC – A adaptação é um processo que não para de acontecer. Não apenas pelo tipo de trabalho e os lugares que tenho visitado, que são bem distintos entre si, mas também pela minha clara evolução enquanto ser humano e profissional independente, que se deu após começar esta jornada. Frequentemente tenho reflexões ou passo por situações que vejo como oportunidades de aprendizado e desenvolvimento pessoal.
A questão cultural e de como as pessoas em países diferentes fazem business é realmente algo a se levar em conta. Então posso dizer que sigo no aprendizado, a cada novo cliente ou a cada novo país.

ND – Como você se resolve com dinheiro? O que fazer na hora que a grana tá curta?

CC – A produção de conteúdo para empresas é a minha principal fonte de renda. Tanto para empresas locais como para empresas no Brasil, trabalhando remotamente. Nos momentos que a grana apertou, que acredito que acontecem para qualquer viajante ou nômade digital em início de aventura, eu usei e abusei do Workaway.info, onde você pode oferecer serviços em troca de hospedagem e alimentação. Dessa forma eu pude poupar grana em troca de produzir vídeos para instituições que precisavam, praticar mais ainda minhas habilidades como produtor de conteúdo, criar mais portfólio e ter mais segurança com relação ao tempo necessário para encontrar algum novo cliente ou parceiro.

ND – Na estrada sempre conhecemos pessoas incríveis. Nos conte sobre uma amizade que ficou na sua vida.

CC – Amizades realmente foram muitas. E, especialmente, nesta parte aqui do mundo, Índia e Nepal, tenho mesmo conhecido apenas viajantes interessantíssimos! Desde empreendedores e nômades digitais de 21 anos de idade, até hippies que cruzaram as Américas apenas vendendo sua arte! Posso compartilhar um amor de viagem, que foi rápido, intenso e “com data de validade”. (risos). Nos conhecemos na Tailândia, decidimos viajar juntos por mais 2 meses antes de irmos para caminhos diferentes, que era já planejado. Viajamos pela Tailândia, Malásia e Índia.

Foi incrível e temos excelentes memórias juntos! Ambos seguíamos caminhos diferentes na vida e nas viagens, e portanto decidimos que era tudo bem separarmos para seguirmos nossas jornadas. Criei um enorme carinho por ela e, com certeza, um dia ainda a levarei para curtir o carnaval no Rio de Janeiro.

ND – Qual é o seu esquema de viagem: caronas, hostels, couchsurfing ou trabalho por uma cama e comida?

CC – Um pouco de tudo! Fato é que ter o Se joga, cara! me ajuda demais e abre muitas portas. Já dormi no chão da sala e já dormi em resorts 5 estrelas, ambas as situações foram alcançadas por ter o canal e entender o valor que há ali.
Recentemente tenho optado mais por oferecer trabalhos simples de marketing em troca de acomodação, acredito ser uma troca justa e adiciona como bagagem profissional, expertise e portfolio para mim.

ND – Você pensa em voltar pra casa? Quando?

CC – Já sinto falta do meu Brasil. Esta viagem está mesmo sendo uma jornada incrível de evolução pessoal, e tenho muita curiosidade de retornar ao meu país e minha antiga realidade e ver tudo com estes novos olhos que tenho hoje. Quero viajar pelo Brasil inteiro e trabalhar com projetos que contribuam para o empoderamento de pequenas comunidades em nosso país.
Estou planejando retornar em Junho de 2017, para celebrar meus 30 anos com minha família.

Todas as fotos © Cadu Cassau




Aprenda a ser um Nômade Digital

31.934 pessoas fazem parte de nosso grupo fechado de dicas por e-mail. É grátis!