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Entrevista Nômade: ele criou uma plataforma que dá dicas para economizar ao comprar moeda estrangeira

Se você, como eu, fica confuso na hora de comprar moeda estrangeira, sem entender como funcionam preços, taxas e siglas, vai ver que existe luz no fim do túnel após ler essa entrevista. Conversei com o  Mathias Fisher, um dos fundadores da Meu Câmbio, plataforma que compara cotações de diversas corretoras e permite que você efetue a compra da moeda com valor mais em conta pela internet.

Aqui, ele esclarece as principais dúvidas que muitos de nós, leigos, temos na hora de comprar câmbio.

Nômades Digitais (ND): Por quê o valor da cotação do câmbio pode variar tanto entre uma corretora e outra?

Mathias Fisher (MF): O valor de venda de moedas estrangeiras pode variar até 15%, de uma corretora para a outra, e basicamente três fatores influenciam nisso: o quanto a empresa investe em treinamento / funcionários qualificados, sua estratégia de vendas (se prefere fechar mais negociações com uma margem de lucro menor ou se optaram por fazer menos operações com uma margem de lucro maior), e o custo da formação do estoque.

Ou seja, como o mercado de câmbio é muito volátil, se o cara comprou o estoque dele no dia certo, tem uma margem maior para praticar preços melhores.

ND: Quais os impostos que incidem sobre a compra de moeda estrangeira?

MF: O IOF – Imposto sobre operações financeiras, é o único que incide sobre a compra feita pelo cliente. E também há a previsão de cobrança de imposto de renda, mas ainda não está em voga. Existem outros impostos que a corretora paga de acordo com o lucro que teve no mês, como o ISS, mas isso não interfere diretamente nas operações de compra e venda de câmbio.

ND: Como é melhor levar dinheiro para outro país? Em cash, num cartão pré pago ou no cartão de crédito?

MF: O melhor é levar uma parte em dinheiro, e outra no cartão pré pago. A taxa de IOF cobrada na aquisição de papel moeda é de 1,1%, enquanto no cartão de débito pré-pago e cheques de viagem, é de 6,38%. Sabemos que é bem mais alta, mas também traz mais segurança em relação a roubos.

Ao usar o cartão de crédito, além do IOF de 6,38%, você está sujeito a variação cambial. Ou seja se houver desvalorização do real na data de fechamento da fatura, vai acabar pagando mais.

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ND: É possível parcelar a compra de moeda estrangeira?

MF: Não é. Algumas casas nos aeroportos permitem que você faça a compra no cartão de crédito, mas sem parcelar. A diferença é a cobrança de taxas no final, já que as operadoras cobram de 2,5% a 5% em cima dessa forma de pagamento, além dos já citados tributos. É uma comodidade, mas será que vale a pena?

Aí vem aquela resposta: ‘mas no cartão de crédito eu ganho milhas!’. Sempre digo para meus clientes: já parou para pensar que a cada ano que passa, suas milhas compram menos passagens? Temos uma inflação bastante acelerada nesse mercado. Por isso, não considere suas milhas como investimento. Use sempre que puder.

Uma forma alternativa de parcelar

Mathias aconselha ainda que o próprio comprador parcele a aquisição da moeda estrangeira: “Se você quer viajar daqui a seis meses e vai comprar $ 2000, compre um pouquinho a cada mês, até a data do embarque. Se num determinado mês o dólar caiu mais, faça uma compra um pouco maior. Isso reduz a sua exposição às variações do câmbio, dado que a previsibilidade que temos é muito pequena, já que a cotação depende de fatores econômicos, políticos, internos e externos.

Mathias aconselha ainda a comprar metade do valor já no cartão pré pago, e metade em dinheiro, já que não e possível “carregar” um cartão pré pago no final da compra com o dinheiro adquirido nos meses: “essa seria uma operação de compra aliada a uma operação de venda, a partir da ótica das corretoras“.

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ND: Existe um horário mais vantajoso para cotar moeda?

MF: Não existe, já que o câmbio do euro, dólar e outras moedas estrangeiras variam em tempo real.  Nossa recomendação é que a compra seja feita em horário comercial. Até conseguimos fazer compras fora desse horário, mas como a corretora não sabe se no dia seguinte a cotação vai estar mais alta ou mais baixa, ela coloca uma margem de segurança depois das 18h. Ou seja, você acaba pagando mais caro.

Com quanta antecedência você recomenda a compra da moeda em relação a data de embarque?

MF: Se você deixar para a última hora, considere como sendo a última chance, pensando em cotação. Fora isso, recomendamos fazer a compra em pelo menos 3 dias úteis antes da data do embarque, para contornar problemas de pagamento como alteração de limite no banco, ou problemas com horário para receber o pedido.

Todas as corretoras exigem que a pessoa que vai receber a moeda seja a mesma que tenha concluído a compra?

MF: As corretoras geralmente fazem questão de que a pessoa que fez o pedido também o receba. E o principal motivo para isso é prevenir a lavagem de dinheiro. O segundo é que o contrato de câmbio, instrumento oficial para registrar aquela operação, precisa ser assinado pela pessoa que efetuou a compra,  e isso é uma restrição do Banco Central.

ND: O que é VET?

VET é o Valor Efetivo Total. Ou seja, é o valor real,  o preço verdadeiro de cada dólar ou outra moeda estrangeira que você está comprando. Ele é o resultado da soma da cotação, do IOF e da taxa de delivery, caso queira receber o dinheiro na sua casa.

ND: Porque na maioria dos casos não consigo comprar moeda estrangeira em notas menores?

MF: Dado que uma nota de $100 e uma de $5 pesam praticamente a mesma coisa e ocupam o mesmo espaço, se as corretoras importassem notas de cinco no lugar de notas de cem elas teriam que importar uma quantidade 20 vezes maior para satisfazer o mesmo volume financeiro desejado pelos clientes. E isso seria muito mais caro, já que o estoque teria que ser muito maior.

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Todas as fotos © Meu Câmbio




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