Empreendedorismo

É o prazer, e não a dor, o melhor incentivo para quem quer mudar de carreira

Quando o assunto é transição de carreira, muito se fala sobre suas fases, como se preparar, o que você precisa fazer e como lidar com os fatores emocionais e financeiros deste salto no escuro. Mas existe um fator determinante para que qualquer transição seja bem sucedida no longo prazo. Um fator que torna a mudança, seja ela qual for, mais sustentável e aumenta muito as suas chances de não ter que passar por ela novamente (e sentir-se frustrado) antes de ter consolidado e vivido esse novo ciclo na sua vida. Eu chamo esse fator de “empurrar-puxar”.

Você pode fazer uma transição de carreira do tipo empurrar ou do tipo puxar e te garanto, por experiência própria, que a segunda opção é muito melhor.

Deixe-me explicar cada um dos tipos de mudança para você entender melhor: a transição EMPURRA é aquela em que você busca mudar por que não aguenta mais a sua vida atual, não importa como a mudança aconteça, se você pediu demissão ou foi demitido, se está mudando de ramo ou empreendendo. O que te motiva a fazer isso é a DOR. Sim, você está cansado, encurralado, sem clareza e você se “empurra” para fora daquela realidade. Qualquer coisa parece ser melhor do que a vida que você vive. Você está sofrendo, em dor.

Isso já aconteceu comigo três vezes na minha vida profissional. Na primeira vez, eu trabalhava em um banco de investimentos na área de fusões e aquisições. Estava desmotivado, cansado, não aguentava mais aquele ambiente. Então o que eu fiz? Fui para outro banco de investimentos trabalhar com fusões e aquisições! Achei que o novo ambiente, pessoas e salário maior fossem resolver a minha dor diária de acordar e ir trabalhar. Errei feio! Passados aqueles 3 meses de novidades, lá estava eu novamente me arrastando para a batalha diária… e a dor voltou ainda mais intensa pois, pelo fato de ser novo de casa, eu ainda não tinha vínculos emocionais e amizades no meu novo emprego na mesma medida que tinha no anterior, ou seja, só piorei a minha situação, o que me levou a mais uma transição pouco tempo depois, mais forte e drástica: pedi demissão para tirar um sabático e repensar a minha vida profissional. Eu me empurrei de um lugar para o outro somente olhando de onde um vinha, não para onde eu estava indo. A dor nos deixa cegos nesse tipo de transição, é mais difícil acertar.

Vamos ao tipo de transição que você vai querer fazer: a do tipo PUXA, onde você literalmente “puxa” o novo. Você está olhando de frente, para o futuro e quer agarrá-lo e puxá-lo com voracidade. Você não está motivado pela dor e sim pelo PRAZER. Você tem clareza, vê longe o horizonte e quer ir em direção a ele.

Já passei por duas transições desse tipo e não por coincidência foram as duas últimas na minha carreira. Após passar por um processo estruturado e com acompanhamento, onde pude fazer reflexões importantes sobre meus talentos, valores e meu propósito de vida, eu decidi fazer a transição de carreira mais radical na minha vida! Daquelas que assusta a grande maioria das pessoas: saí de um área em que eu sabia tudo, para uma área onde eu não sabia nada! Pedi transferência dentro da minha empresa da área de Planejamento Estratégico para a área de Recursos Humanos. Mas apesar de ser a transição mais desafiadora até então, com riscos altos, pois eu estava deixando uma carreira onde já tinha um nome e reputação para começar do zero, foi a transição mais fácil e prazerosa de todas. Por quê? Porque eu estava energizado, louco para fazer acontecer, aprender, dar o meu melhor. Minha motivação estava nas alturas, eu estava totalmente consciente do que estava fazendo, com clareza das minhas capacidades e vivendo o meu propósito. Foi o ciclo em que eu tive o crescimento profissional e pessoal mais acelerado, um fluxo criativo e produtivo que eu nunca tinha vivido antes. Um ano depois já estava sendo promovido. Não vou dizer que isso é regra e que acontece com todo mundo, mas te garanto que se você “puxar” a transição as suas chances de sucesso são exponencialmente maiores.

Como eu disse, passei por uma outra transição do tipo PUXA, que foi mais prazerosa e estimulante que a primeira: decidi empreender (e olha que o desafio não é pequeno!). Depois que você passa pela primeira transição PUXA, não tem mais erro, você não cai mais em transições EMPURRA porque o seu nível de autoconhecimento, quem você é e o que quer para a sua vida já estão em um patamar de consciência que te colocam na cadeira de piloto do seu avião. Ninguém vai lhe tirar do comando. Você tem controle total sobre as decisões da sua vida e força para lidar com as consequências.

Infelizmente, a maior parte dos tipos de transição que eu vejo são do tipo EMPURRA, pois a diferença é muito sutil e difícil de notar. Basicamente em uma mudança EMPURRA você está no olho do furacão e não consegue ver nada com clareza. Já na PUXA, o furacão continua lá mas você olha-o de fora e consegue montar estratégias para contorná-lo e seguir em frente.

Se eu posso lhe dar um conselho para você “puxar” a mudança que você quer fazer na sua vida, é que invista em você mesmo, no seu autoconhecimento, pois é um investimento cumulativo, que não se perde ou deteriora, um investimento que traz resultados que se multiplicam a cada rodada, que tem um retorno 100% para você e que te levam da dor para o prazer de crescer e evoluir.

ass-brunogrande

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Créditos das fotos: Jordan Matter

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