Empreendedorismo

A descoberta dos seus talentos pode te ajudar a ter uma vida mais feliz

“Os talentos de cada pessoa são permanentes e únicos”. Esta afirmação dos pesquisadores Marcus Buckingham e Donald Clifton é de certa forma polêmica e pode até mesmo parecer desanimadora para alguns pelo seu caráter determinístico.

Não pretendo entrar na polêmica científica desta afirmação mas sim em sua lógica, para vermos como conhecer os nossos talentos e construir uma vida que tire melhor proveito deles é relevante para que você viva uma vida prazerosa e com significado, uma vida feliz.

Primeiro vamos criar um entendimento comum sobre o que é talento. Os mesmos pesquisadores definem talento da seguinte forma: “O talento é qualquer padrão recorrente de pensamento, sensação ou comportamento que possa ser usado produtivamente. Assim, se você é instintivamente curioso, isso é um talento. Se é competitivo, isso é um talento. Se é sedutor, isso é um talento. Se é persistente, isso é um talento.”

Agora veja como a lógica funciona: nosso cérebro é o único órgão que cresce desproporcionalmente nos primeiros anos de vida e depois ele vai encolhendo à medida que nos tornamos adultos. O interessante é que, à medida que ele encolhe, ficamos mais inteligentes.

No começo da nossa vida, até os 3 anos, funcionamos como uma esponja,  absorvendo sensorialmente uma infinidade de estímulos. Para darmos conta de tudo isso, bilhões de neurônios e bilhões de ligações entre eles, as sinopses, se formam. É tanta informação que, se mantivéssemos esse padrão de desenvolvimento, dificilmente conseguiríamos pensar e tomar decisões.  Então nosso cérebro começa a escolher as ligações mais fortes e  desativa as mais fracas. Essa escolha acontece por fatores genéticos e pelas nossas experiências de vida nesses primeiros anos. Basicamente seguimos o caminho da eficiência energética,  mantém-se as conexões mais regulares e fáceis de usar. Imagine que até os 15 anos seu cérebro acabe formando algo como a bacia Amazônica, alguns rios largos e com grande fluxo de água e outros menores, menos volumosos.

É aí que surgem seus talentos, com uma conexão mais forte puxando seu comportamento para a competitividade ou  para a empatia, talvez a estratégia. Ou seja, padrões produtivos recorrentes que você utiliza consciente ou inconscientemente nas suas milhares de decisões diárias. Desde o tom de voz ao atender o telefone até ao padrão para reagir a um insulto, somos compelidos a reagir instintivamente. Seu cérebro faz o que a natureza sempre faz em situações como essa: encontra e segue o caminho de menor resistência, o caminho do talento.

Se biologicamente buscamos sempre a eficiência energética, fazer mais com menos, faz sentido dizer que o maior potencial de crescimento de um indivíduo está nas áreas onde ela pode ativar seus talentos. Torná-los conscientes para podermos reforçá-los através de prática e aprendizado parece ser algo atrativo, e logo mais neste texto você verá que é também prazeroso.

Alguns vão se perguntar sobre o papel da neuroplasticidade, a nossa capacidade de mudar os nossos caminhos neurais fortes e fracos. Sem dúvida a compreensão da ciência sobre neuroplasticidade é um dos mais promissores avanços da neurociência nas últimas décadas. Exemplos como o de Herbert Viana, vocalista dos Paralamas do Sucesso, que praticamente não falava ou se movia após um acidente aéreo, e que hoje canta e toca em shows para milhares de pessoas, são bastante emblemáticos de como podemos redefinir nossos caminhos neurais, mas isso requer muito esforço, tempo e gasto energético considerável. Possível é, mas tem seu custo.

Talvez a estratégia mais inteligente para o cidadão ocupado do século XXI seja identificar seus talentos, se apropriar deles e empregá-los na sua vida diariamente de forma consciente. Imagine um treinador que fizesse um grande esforço para que o Romário fosse um grande goleiro, ao invés de perceber que o negócio dele é fazer gol. Não faz o menor sentido mas é o que somos ensinados a fazer desde a escola: fortaleça seus pontos fracos.

A questão é que estamos tão emaranhados com nossos talentos que apesar deles estarem embaixo do nosso nariz, não conseguimos identificá-los e nomeá-los. Mas eles deixam pistas e mais abaixo você verá como usar essas pistas, além de um exercício simples para começar a identificar e nomear seus talentos.

Primeiro, se você quer descobrir seus talentos, monitore suas reações espontâneas, imediatas. Elas revelam a existência de fortes conexões mentais. Por exemplo, você bateu o carro. Qual foi sua primeira reação? Perguntar para a pessoa ao seu lado se ela está bem (talento de empatia). Pensar se a culpa foi sua ou do outro (responsabilidade). Acalmar os nervos dos envolvidos (harmonia).

Achou difícil? Fique tranquilo que os talentos deixam pistas e nos próximos posts vamos seguir essas pistas para ajudar você identificar e nomear seus talentos através de um exercício simples. Aguarde!

ass-bruno

Nota: essa é uma série de 3 textos sobre talentos. Fique atento e descubra os próximos.

Texto originalmente publicado no site Overfora.

Créditos das fotos: Keren Chernizon




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