Empreendedorismo

Coisas que nunca te disseram sobre a zona de conforto (e como saber se você está preso nela)

Ouço no consultório diariamente pessoas falarem do seu medo de sair da “zona de conforto” como se estivessem falando de um lugar psicologicamente espaçoso, arejado e acolhedor. Mas no momento que descrevem o que consideram ser a zona de conforto mais parece uma prisão emocional. Nesse cárcere a pessoa reforma, coloca perfume, aumenta a música e simula uma paisagem incrível, mas ainda se trata de um espaço psicológico apertado, incômodo, infeliz e sem horizontes. O que ela chama de conforto é uma forma de evitar os problemas.

Curiosamente as portas da prisão estão abertas e sem impedimentos para a fuga e mesmo assim permanece lá se queixando de tudo que a cerca. Por conta de um apego à desgraça familiar ela prefere recuar e permanecer enclausurada. A única vantagem da zona de “conforto” é ser conhecida de muito tempo, nada mais, nem controle existe ali.

Na zona de conforto a pessoa sente medo constante, falta de brilho nos olhos, diminuição da perspectiva de vida e insatisfação crônica. Mesmo a alegria que sente é do sonho de uma vida sem problemas. O “conforto”  está longe de ser confortável, pois se ela não tem um bem material quer conquistá-lo, e se já o possui teme perder.

A saída que as pessoas intencionam é a de manobrar apenas um pouco para o lado da prisão de tal forma que não percam completamente o “conforto” e o controle. Elas querem sentir um pouco menos de desespero, tristeza ou ansiedade, mas nunca questionam em que parte de suas personalidade produzem esse estado de espírito perturbador.

É no apego ao conhecido que habita a prisão confortável. Com receio de se desapegar do emprego ruim, do relacionamento amoroso detestável e da vida mediana uma pessoa permanece achando o certo mais agradável do que o duvidoso e o conhecido melhor que o novo.

O detalhe é que todas as vezes que alguém ousa arriscar o prisioneiro aplaude, admira, promete que fará o mesmo, mas na prática segue do mesmo jeito. No fundo sabe que quando ousou arriscar teve as sequelas naturais de uma mudança, mas não se arrependeu. Mesmo que no começo tivesse se sentido perdido e apreensivo o tempo mostrou que o novo cenário era realmente mais espaçoso.

Todos que ousam mudar se penitenciam por não terem feito isso antes: “como eu aguentei tanto tempo naquele cubículo?“.

A sensação de familiaridade da zona de conforto é só o domínio que tem sobre os jogos que fazia desde pequeno. O truque de reclamar e brigar funcionou muitas vezes mesmo que só tenha apagado incêndios. Acusando e fugindo da responsabilidade pareceu adiar o mal-estar inevitável, mas nunca resolveu nada de verdade. Esses jogos superficialmente dão certo, mas são apenas paliativos para uma doença terminal iminente.

A felicidade é o território desconhecido por excelência. Não oferece garantia, refresco imediato, além demanda mais esforço que o sofrimento. Para sofrer basta ficar parado e passivo e reagindo como sempre, já a felicidade carece de movimentação constante e da capacidade de suportar uma dose grande de incerteza.

A falta de conforto da felicidade acontece porque a surpresa é um elemento chave do bem-estar. Desconhecer e aceitar com peito aberto a mutabilidade constante da vida exige de você um desassossego de quem não pode controlar a vontade dos outros.

Na felicidade é como uma dança de cadeiras onde o dia começa de um jeito e termina de outro, parece mais um mochilão pelo mundo do que a asfixia de uma repartição pública.

Estranhamente 9 de 10 pessoas dizem sonhar em fazer muitas viagens pelo mundo. Mas até numa viagem caseira tão logo o avião sai do chão e já querem saber quando vão posar, em que quarto do hotel, onde está a mala, onde visitar e passam toda viagem aflitas pelo passo seguinte, incapazes de fluir com naturalidade. Desejam viajar pelo mundo carregando suas grades debaixo do braço e arrastando cada necessidade de controle sobre tudo.

Portanto, quando você afirmar que está preso em sua zona de conforto lembre-se que está falando de um conforto bem miserável e não do reconforto de uma vida mais plena e com verdadeira liberdade. A escolha de sair ou permanecer nele, é única e exclusivamente sua.

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Foto principal por: Rafael Gatuzzo




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