Viagem

Casal larga carreira bem-sucedida em São Paulo para viajar pela Nova Zelândia a bordo de uma van cor-de-rosa

A história nômade de Larissa Queiroz, 29 anos, e Pedro Priolli, 25, começou como a de muitos outros viajantes – ela, de Uberaba, Minas Gerais, vivia há 10 anos em São Paulo. Ele, paulistano, morava com os pais em Santa Cecília. Os dois trabalhavam com pesquisa de mercado na capital paulista, mas a felicidade parecia passar ao lado: “Morando no caos de São Paulo, trabalhando fechados em um escritório o dia todo, em frente ao computador”, enumera Larissa. “Tínhamos vontade de viajar, conhecer outras culturas e pensar um pouco no que fazer da vida”.

Mas foi precisamente onde menos esperavam que a história começou a ser escrita. Um amigo de escritório lhes apresentou o working holiday visa para brasileiros, e para cidadãos de mais 40 nacionalidades, que permite que, por um ano, as pessoas trabalhem e explorem as paisagens naturais que preenchem todo o país – vulcões, geleiras, montanhas nevadas, lagos azul-turquesa, praias paradisíacas, ótimas vinícolas e por aí vai.

Não foi preciso dizer mais nada: “largamos uma carreira até então estabelecida, pois sabíamos que se não fizéssemos nada o tempo ia passar e continuaríamos lá”, em fevereiro de 2014.  Desde então, o casal passou os primeiros meses viajando pela ilha norte a bordo de uma van cor-de-rosa comprada numa feira de carros em Auckland, a maior cidade do país, e arrumando todo o tipo de trabalhos. “O plano aqui é aproveitar toda e qualquer oportunidade para fazer coisas diferentes, ampliar os horizontes de possibilidades para o nosso (eventual) retorno ao Brasil, e juntar dinheiro para viajar pelos países deste lado do mundo”.

A gente quis conhecê-los um pouco melhor e bateu um papo com os donos de uma das vans mais legais dos últimos tempos. Vem ler:

Essa é a primeira viagem do tipo que vocês fazem?

Sim, é a primeira vez que saímos do Brasil para morar um tempo fora. Largamos uma carreira até então estabelecida, pois sabíamos que se não fizéssemos nada o tempo ia passar e continuaríamos lá. Antes disso só viagens de férias mesmo.

Porque vocês resolveram ir pra Nova Zelândia? O que no país atraiu o interesse de vocês?

Tudo começou com um amigo do trabalho, a quem devemos muitas ideias. Ele havia passado um tempo com a esposa aqui na Nova Zelândia e se apaixonou pelo país. Quando comentamos que estávamos pensando em viajar, ele nos contou sobre sua experiência e nos deu a dica sobre o working holiday visa. A partir daí começamos a pesquisar sobre o visto e sobre o país e tivemos cada vez mais certeza de que era o lugar onde gostaríamos de passar um tempo – aqui existem muitas possibilidades de trabalho para estrangeiros, de todos os lugares do mundo, e muitas facilidades para quem está querendo viajar. E ao mesmo tempo é um lugar com uma cultura completamente diferente da nossa, com paisagens lindas e muito contato com a natureza. O fato de ser um país de língua inglesa também ajudou por ser uma oportunidade para melhorarmos nossa fluência da língua.

NZPink1

Como foram as primeiras semanas de viagem? O que mais surpreendeu no país?

Acho que duas coisas nos surpreenderam muito: a simpatia e gentileza de todas as pessoas em todos os lugares – do motorista do ônibus ao caixa do banco, todos querem te ajudar e resolver o seu problema; e a segurança e tranquilidade que você sente nas ruas e em qualquer lugar – ficamos impressionados com as casas de câmbio na rua principal de Auckland, que são guichês no meio da rua, sem segurança nenhuma. Os bancos não têm porta com detector de metais, as delegacias são prédios discretos. Lembro que nos primeiros dias vimos dois funcionários de um shopping enchendo um caixa eletrônico e eles não portavam armas e nem pareciam preocupados com nada. Para nós que morávamos em SP, o contraste na segurança é maluco.

Onde vocês acharam a van pink?

A van pink foi um caso de amor à primeira vista. Começamos a procurar carros já no Brasil, através de sites como o TradeMe e o Gumtree [sites de e-commerce do país], e nossa idéia inicial era comprar um motorhome completo, com banheiro e chuveiro, mas logo percebemos que não ia caber no orçamento. Ficamos três semanas em Auckland procurando o carro certo, entrando em contato com os donos e visitando lojas, até que nos hospedamos na casa de uma indiana que nos deu a dica de uma feira de carros que acontece todo domingo no bairro de Ellerslie. Ela foi supersimpática e nos levou até lá no domingo seguinte, e a feira era enorme, com todos os tipos de carros – vans, esportivos, utilitários, de tudo um pouco. Carro aqui é barato, outra diferença gritante do Brasil – com menos de $2.000 dólares você compra um carro usado em boas condições. Demos uma boa olhada em várias vans diferentes, algumas em bom estado, outras nem tanto, e nos deparamos com essa van pink super ajeitadinha. Os donos eram um casal de franceses muito simpáticos – todo mundo ficava tentando te empurrar o carro a qualquer custo, eles abriram a mesinha do fundo e estavam lendo um livro e tomando café. Conversamos bastante com eles e acabamos escolhendo essa van mais pela empatia com o casal e com o carro do que por qualquer outra coisa. Não entendemos muito sobre carros, na verdade foi um coisa bem de ‘feeling’ mesmo. Até agora ela (“the pink panther”, nosso apelido carinhoso) tem sido maravilhosa. É de 1996 e tem mais de 400 km rodados, mas funciona lindamente. Tem uma cozinha no fundo, toda equipada, e uma sala com dois bancos e mesinha que transformamos em cama para dormir. Antes de virmos para Tauranga viajamos com ela por um mês e meio, ficando sempre em holiday parks, que são os campings daqui – todos super equipados, com banheiros e cozinha. Além de um ótimo carro é uma casinha maravilhosa, nossa companheira de aventuras.

NZPink2

Qual foi o lugar que mais surpreendeu vocês? Qual paisagem que fez vocês perderem o fôlego?

Essa é fácil de responder: a Tongariro Alpine Crossing no Tongariro National Park. Foi de longe a coisa mais incrível que fizemos aqui até agora. A trilha passa no meio de dois vulcões ativos (Tongariro e Ngauruhoe), tem cerca de 20km de extensão e 1.000m de subida. Demoramos quase oito horas para completá-la, mas valeu cada segundo. As vistas são impressionantes, assim como os terrenos em si, que são formações vulcânicas de vários tipos. A montanha é imponente, um ambiente próprio que te faz sentir pequeno. Iniciamos a trilha às 6h da manhã, um pouco antes de amanhecer, e vimos o nascer do sol no começo da subida. Pegamos um dia lindo, ensolarado, o que faz com que as cores das rochas e dos lagos no ponto mais alto fiquem muito vivas. É incrível, além de ser um baita exercício de superação. Toda a região do parque, que conta com mais um vulcão, o Mount Ruapehu, é muito bonita, com paisagens totalmente diferentes das que estamos acostumados no Brasil. Fizemos a trilha no final de março e voltamos à região no começo de maio. O outono muda a paisagem completamente, as árvores ficam mais coloridas e as montanhas já cobertas de neve. Nosso lugar preferido até agora.

NZPink8

Vocês se arrependem de alguma forma da decisão de vocês?

De jeito nenhum. Sempre bate uma saudade, das pessoas, do clima e da comida principalmente, e você passa por vários perrengues, como quando atolamos a van num penhasco indo pra Cathedral Cove, em Coromandel, no terceiro dia com ela e tivemos que ligar pra polícia pra conseguir um guincho. Mas a sua vida é um aprendizado constante e é cheia de descobertas todos os dias. Sempre aprendemos algo novo, conhecemos um lugar ou uma pessoa nova, e aos poucos você acaba se sentindo em casa nessa mudança. Chegar em um lugar novo e começar tudo outra vez é sempre desafiador, mas ao mesmo tempo estimulante e gratificante. Acho que a maior diferença é que tudo na nossa rotina é passageiro, não estamos criando raízes aqui. Surgem diversas oportunidades pra você se assentar e criar laços mais fortes, de emprego, moradia, de amizade, e você fica num exercício constante de desapego pra criar coragem e se manter em movimento, descobrindo coisas novas.

NZPink6

NZPink5

NZPink7

NZPink4

Mais informações sobre o working holiday visa:

Todo ano, o país disponibiliza 300 vagas para brasileiras e brasileiros de 18 a 30 anos, que podem viver e trabalhar no país por até 12 meses. Novas vagas estarão disponíveis em setembro de 2014. Para saber mais, clique aqui.

Mais informações sobre a Nova Zelândia: http://www.newzealand.com/br/

ass_NZPink




Aprenda a ser um Nômade Digital

31.934 pessoas fazem parte de nosso grupo fechado de dicas por e-mail. É grátis!