Empreendedorismo

A vida no fluxo: será que você está mesmo preparado para ser um nômade digital?

Como boa nômade digital, a pergunta que eu tenho mais dificuldade em responder é a maldita: DE ONDE VOCÊ É?

Vamos lá, me ajude. O que esta pergunta quer como resposta?

1.       Onde você nasceu?

2.       Onde você morou a maior parte da sua vida?

3.       De onde seus pais são?

4.       Onde você mora agora?

5.       O lugar com o qual você mais se identifica?

Porque assim… Eu nasci nos Estados Unidos, meus pais são de Blumenau – SC (onde estive no piloto-automático por 17 anos). Depois disso, vivi em cinco países, visitei inúmeros outros, morei em 17 cidades e mais de 33 CEPS diferentes. Hoje moro entre São Paulo, Florianópolis e minha casa de praia em Bombinhas – SC. E o pior (ou melhor, sei lá!) é que, de certa forma, ainda não encontrei o meu lugar. Isso quer dizer que não houve o momento em que respirei profundamente e disse: gostaria de morar aqui para sempre! (Tá, esta é a hora que você diz: caracas, encontrei uma mais perdida do que eu! E eu concordo.) Mas e aí? DE ONDE VOCÊ DIRIA QUE EU SOU, AFINAL? (Por favor, responda esta pergunta nos comentários e me ajude com a crise existencial!)

A maioria das pessoas acha a minha história legal, não é a toa que ela rendeu um livro. Mas nem sempre é fácil viver assim, sabe? Eu me sinto em casa em qualquer lugar, mas sou turista em todos (já dizia a música da banda Forfun). É um misto de conforto com o mundo e um certo desconforto interno, algo que nunca está completo, sossegado. Só bem recentemente me senti totalmente confortável em admitir para mim mesma que eu realmente não tenho paradeiro fixo: eu moro no fluxo.

O fato é que eu devo receber correspondência até hoje em pelo menos uns 15 lugares diferentes, já deixei para trás móveis, roupas e utensílios suficientes para montar umas 3 casas completas, sinto saudades de muito mais gente do que qualquer pessoa normal, tenho desejos desesperadores por algum tipo de comida étnica que não consigo encontrar onde estou, tive que ser fora-da-lei ou ilegal sem intenção diversas vezes, sofro para preencher questionários básicos de informações pessoais, sonho todos os dias com o momento que certas pessoas cruzarão meu caminho novamente, tenho muita dificuldade em saber onde registrar o meu carro (logo me livrarei dele também!) e preciso viajar longas distâncias para refazer meus documentos. Resumindo, a burocracia é bem complicada para quem não tem residência fixa, nosso mundo não está adaptado para gente que vive assim. Mas isso não é o pior. Acho que a maior característica de um nômade digital é ter que ser BRUTALMENTE DESAPEGADO. De tudo: pessoas, coisas, momentos e lugares. Você precisa estar disposto a se tornar o seu maior patrimônio, se acostumar a carregar tudo o que mais ama na vida dentro de recipientes muito pequenos, e a maioria esmagadora em um único recipiente (mas pelo menos este é espaçoso: SEU CORAÇÃO!). O seu valor maior tem realmente que ser a experiência e não algo de material que não poderá carregar na próxima trip.

Se o desapego não for um problema, você precisa conviver bem com a imprevisibilidade. Eu tenho uns 4 anos de nômade digital e, se for bem sincera, digo que houve meses em que eu fiquei bem desesperada e outros em que eu ganhei mais do que o quádruplo do meu último emprego com carteira assinada. Claro que há formas de você criar meios de reduzir esta imprevisibilidade prestando alguns serviços mais constantes, fazendo parcerias com empresas, garantindo um fixo todo mês e, se você não for péssimo em economias como eu, guardando uma boa parte quando sobra. Mas mesmo assim haverá o dia do friozinho no estômago que teme que a conta no banco não fará a justa estica. Assim como haverá o dia que você já pagou todas as contas e sobrou o tanto justo para passar uma semana esquiando em Tahoe.

Outra coisa bem importante: se você for um nômade digital junto COM o seu parceiro, como a Jaque e o Eme, maravilha! Caso contrário, ter um relacionamento pode ser bem complicado. A maioria das pessoas não está acostumada com gente assim, e nem disposta a namorar a distância ou passar muito tempo separado. É claro que você pode também dar umas paradas e morar bons tempos em um mesmo lugar, não precisa ficar mudando o tempo todinho. Mas ainda assim todas estas são coisas a se pensar antes de se jogar nessa vida. Você está realmente preparado? Estes são valores seus? É isso que você quer?

Eu sou suspeita para ajudar nessa resposta, porque conhecer o mundo foi uma das coisas que mudaram minha maneira de ver a vida para sempre. Abriu meus olhos para realidades completamente diferentes e ampliou meus horizontes em diversos aspectos. Eu recomendo para todos. Mas o mundo de muita gente pode cair por terra ao perceber que vidas inteiras são baseadas em valores que são só importantes em algum cantinho minúsculo do planeta. Então sonde bem, se questione muito… Porque uma vez que você der este salto, believe me, não haverá volta. Pense em algo em que você é muito, mas muuuuuito viciado! (tipo Coca-Cola ou brigadeiro de panela!). Este estilo de vida vicia mais. Tipo um milhão de vezes mais. Não existe a mínima chance de você jamais conseguir trabalhar em um cubículo novamente. Não MESMO.

ass-alana

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