Brasileiros Viajantes

9 lições que aprendemos fazendo house sitting na Nova Zelândia

Quem nos acompanha, sabe que quinta-feira é dia do quadro Brasileiros Viajantes (se ainda não conhece, descubra aqui e saiba como pode até participar). Esta semana, “voamos” até a Nova Zelândia, onde encontramos a Larissa e o Carlos, um casal que encontrou no house sitting (se não sabe o que é, continue lendo) a melhor forma de viajar e aprender.

Saímos do Brasil em setembro passado rumo a uma viagem de um ano pela Nova Zelândia de posse apenas de nossos vistos, que nos garantiam poder trabalhar para sustentar a jornada, e da coragem necessária para arriscar os breves anos de estabilidade que tínhamos cultivado em solo nacional.

Aqui conhecemos um povo extremamente hospitaleiro e receptivo, que quando viaja tem o hábito de deixar suas casas nas mãos de estranhos, viajantes como nós, em um acordo de “house sitting” – hospedagem gratuita em troca de cuidados com a casa e seus animais. A partir daí criamos um blog, o Vida Cigana, uma página no Facebook ajudando quem queira traçar caminho semelhante, e toda a história que estamos construindo em nossa passagem pelo país mudou radicalmente.

1. Gentileza gera gentileza

As famosas palavras do profeta estampam viadutos do Rio de Janeiro, de onde saímos, mas foi na Nova Zelândia que tivemos a real percepção de como isto pode ser possível de fato. Por não envolver dinheiro, um acordo de house sitting é baseado apenas na confiança mútua entre os viajantes e seus anfitriões. Enquanto os hóspedes têm casa e carro à disposição, os moradores conseguem alguém que cuide de seus pertences e animais.

Vida Cigana

2. Viajar devagar

Viajar sem pressa é quase uma obsessão para um viajante. Não só por permitir conhecer melhor cada cidade, mas pela economia envolvida em um estilo de viagem mais lento. Ter longos dias vagueando pela cidade, sem correria, ou mesmo dias em que decida não fazer nada são fundamentais, mas difíceis de se arranjar em roteiros apertados. Ficar hospedado por house sitting nos permite ter o ritmo de viagem ideal para viver como um local sem deixar de ser um turista. Reduz os custos de viagem tornando possível viajar mais, por mais tempo, a mais lugares, mantendo o conforto que teríamos em casa.

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3. É possível ter uma casa no campo sem sair da cidade

O neozelandês, mesmo aquele que mora na cidade grande, rejeita a ideia de viver em apartamentos, rejeita até mesmo ter uma casa onde não seja possível cultivar um jardim, uma horta e um espaço para criar seus animais. Viver um tempo em cidades assim tem melhorado nossa qualidade de vida, criado um contato rotineiro com a natureza, sem que para isso tenhamos que ficar isolados em algum local que não disponha da infra-estrutura que uma área urbana pode oferecer.

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4. Animal de estimação é um conceito que não se restringe a gatos e cachorros

Com suas casas tendo espaços amplos e grandes áreas gramadas, já nos deparamos com famílias que criam galinhas, ovelhas, bodes, vacas, cavalos, perus, porcos, lhamas, alpacas, mas nenhum deles para abate. Qualquer tipo de animal é possível encontrar sendo criado como bicho de estimação no país.

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5. Viver sem a sensação constante de insegurança

Como um país insular, a Nova Zelândia consegue facilmente controlar o acesso em suas “fronteiras”, fazendo do país um lugar incomparavelmente seguro em relação ao que estávamos acostumados no Brasil.

Em determinadas casas que moramos, dormíamos com as portas destrancadas, mas não por opção nossa. Simplesmente não existia uma chave que as trancassem, tamanha a tranquilidade local.

6. Manter o preparo físico mesmo durante as viagens

House sitting requer que os novos hóspedes respeitem a rotina diária dos animais e muitos neozelandeses têm o hábito de caminhar com seus cães longe de casa, geralmente na praia. Deste modo não há como, mesmo o mais sedentário dos viajantes, não entrar na linha e ganhar algum preparo enquanto corre com uns cachorros na areia.

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7. Dirigir em mão-inglesa não é tão complicado

O povo “kiwi”, como são denominados os nascidos na Nova Zelândia, é extremamente dependente do carro como meio de transporte. Ocupar a posição deixada por uma família local nos faz ter também como tarefa dirigir o carro da família, mesmo com o trânsito do país funcionando em mão-inglesa! De início parece assustador ter que inverter todas as relações de espaço, preferências em cruzamentos e sentido de giro das rotatórias, mas após uns dias de prática não é nada que o cérebro não se acostume (ao menos até o retorno ao Brasil).

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8. Seus vizinhos podem ser seus melhores amigos

Ser aquela pessoa que cruzou o mundo para se hospedar por semanas em uma casa no interior do país te torna automaticamente alguém curioso aos olhos de seus novos vizinhos. Os neozelandeses são extremamente hospitaleiros e farão de tudo para tornar sua estadia e adaptação o mais suave possível.

9. O ser humano ainda é capaz de encontrar formas genuínas de criar laços de amizade pra vida toda

Voltar de viagem com a casa organizada e seus bichos de estimação alegres como nunca estariam caso passassem semanas em um canil, mesmo após ter largado tudo o que acumularam ao longo da vida nas mãos de, até então, estranhos, é no mínimo, gratificante.

Após passar por uma experiência tão intensa como um house sitting, aquela família será mais uma a fazer parte de seu grupo de amigos mais próximo, daquelas que escrevem mensagens dizendo que estão com saudades, deixam comentários em suas fotos de viagem e pedem que façam uma visita de retorno.

Vida Cigana

Todas as fotos © Vida Cigana

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Você pode seguir o casal no site do Vida Cigana ou no Facebook.

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