Brasileiros Viajantes

7 motivos pelos quais a Escandinávia “arruinou” minha vida

Quinta-feira é dia de Brasileiros Viajantes e hoje seguimos na Europa, desta vez não para um país, mas para uma região que deixou muitas saudades a nossa autora convidada da semana, Gracielle Fonseca. Editora do site Festivalando, a jornalista e blogueira conta como a experiência de um ano vivendo na Escandinávia mudou sua vida.

Uma volta na esquina de casa basta para mudar um pouco nossa visão de mundo. Uma viagem ou morar fora da terra natal também, ainda mais quando os olhos vêem outras virtudes. É por conta disso que às vezes é tão difícil voltar para casa. Quando você vai para a Escandinávia, então, a coisa fica muito complicada. Há poucas chances de você não gostar desses lindos países.

Costumo dizer que o brinquedo LEGO não poderia ter sido inventado em outro lugar senão na Dinamarca. O conceito do LEGO está lá, onde tudo se encaixa e ainda fica bonito, com estilo próprio e arrojado. E é assim também na Noruega e na Suécia. O problema é que um lugar tão maravilhoso pode arruinar a sua vida, quando você o deixa. Aos viajantes, desejo sorte. A depressão pós-Escandinávia dilacera. E ainda pode deixar sua mente tresloucada ou super revoltada quando você retorna ao seu país.

O que  teria acontecido comigo para a Escadinávia arruinar minha vida, no melhor sentido possível? Te conto aqui, listando algumas “manias” dinamarquesas que peguei, ou simplesmente as consequências do maravilhoso ano que vivi naquele país.

1. Virei a louca da pontualidade

Na Dinamarca nada atrasa, ninguém se atrasa. Quando os ônibus estão muito atrasados em um ponto, correm bastante para chegar ao outro. Quando estão adiantados, param e esperam para sair em direção ao próximo, chegando lá pontualmente. Um dia deixei um amigo dinamarquês bem chateado com um atraso de cinco minutos. Daí em diante virei amiga do relógio. Mas o resto da sociedade brasileira não… Daí o resultado são chás de cadeira inimagináveis.  Uma hora de antecedência para tudo virou padrão. E eu virei a chata.

2. Incapaz de sentir frio

No meu último dia na Dinamarca o termômetro marcava 16 graus. E era verão. Cheguei ao aeroporto de Confins, no Brasil, fazia 27º, no inverno. Eu sabia que empacotaria meus casacos de pena de ganso. Só não imaginava empacotar também as jaquetinhas e blusas de frio mais leves. 20 graus para mim tinham outro significado antes desse ano dinamarquês.

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3. Sem tolerância para o machismo

A sociedade escandinava é uma das mais igualitárias quando o assunto é gênero. Lá mulher não sai com medo de estar sozinha na rua, divide as tarefas com os companheiros, é livre para fazer escolhas. Ninguém sofre na rua com os assobios, assédios constantes. Isso aqui no Brasil faz talhar meu sangue!

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4. Achando que o Brasil é barato

Pelo fato de os preços da Dinamarca serem muito elevados – por conta dos impostos que são muito bem devolvidos em benefícios para a população, cheguei achando que o Brasil estava barato. Mas num tá coisa alguma! Vivemos uma das piores altas de preços e juros dos últimos tempos.

5. Sinto-me sem direito de ir e vir

Quero meu Rejsekort de volta (o famoso Vale Transporte dinamarquês), com todo o sistema de transporte público que conecta tudo e todos aos mais diversos lugares. Pontual, limpo e funcional. Sabe o que é poder contar em se deslocar com conforto e segurança por todos os lugares dentro de um país? A prudência e respeito dos motoristas para com os pedestres também ficou lá na Escandinávia. Aqui no Brasil, penso que os motoristas são meio psicopatas.

6. Seus gigantes lindos campos têm mais flores?

Não. Não mesmo! Ando por Belo Horizonte e só topo com concreto. Andava em Copenhague e me deparava com entradas para parques, praças verdes, jardins bem cuidados nas frentes das casas. Perto do que vi, Belo Horizonte se tornou uma cidade ainda mais hostil.

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7. Ciclista frustrada

Vivi um ano lindo de liberdade, em que usava uma bike para ir aonde quiser, a hora que quisesse. Ciclovias maravilhosas que serviam como meio de transporte,  mas também como forma de espairecer naquela cidade. Sem contar o respeito com os ciclistas. Já no Brasil, ciclista tem status de vagabundo, é quase sempre atropelado no trânsito, a ciclovia é mal vista pelos prepotentes donos de carros, que se acham donos da cidade também. Quero minha bike, ciclovias e respeito de volta!

O golpe final: você ter o gostinho da sociedade dos seus sonhos e depois ter que largar o barco é muito chato, e daí você começa a achar difícil a readaptação à sua cultura. Pedir a permissão para morar na Dinamarca é uma tarefa complexa. Você precisa ter muita grana, um bom convite de trabalho e também o conhecimento do idioma para cogitar viver por lá . Eis aí o motivo de a minha vida ter se tornado tão dramática.

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Todas as fotos © Gracielle Fonseca

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Você pode acompanhar o trabalho da Gracielle no site Festivalando.

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