Brasileiros Viajantes

7 coisas que me mudaram desde que absorvi Portugal

Depois de se apaixonar por Londres, o quadro Brasileiros Viajantes desta semana chega até Portugal. Quem comanda essa história de hoje é a brasileira e portuguesa Amanda Teixeira, que nasceu no Brasil, mas mora há muitos anos em Lisboa. Ela nos conta o que aprendeu com essa terra maravilhosa e com os portugueses.

O título diz “absorvi” porque quando vim para Portugal, tinha apenas 15 anos. Era a idade “do contra”, e a minha vontade era de voltar para a minha cidade natal, onde tinha todos os meus amigos e família. Foi com o passar do tempo que abri a cabeça para dar oportunidade de perceber algumas coisas coisas e absorver a cultura.

É um país diferente mas muito parecido. Muitos no Brasil dizem que é o “fim” da Europa (para não usar outro termo), mas vale a pena visitar e conhecer. Um povo muito rico, paisagens lindas e muita cultura. E de burros não têm nada!

1. Aumentei o meu vocabulário

Não sei se é porque são os criadores” da língua ou não, o fato é que os portugueses tem o vocabulário muito alargado. No ensino obrigatório (até o fim do ensino médio), os alunos são “obrigados” a ler e estudar obras e livros complexos de autores como Luís de Camões, Eça de Queiroz e José Saramago.

A maioria das pessoas, independente da classe social e do emprego que têm, sabe falar bastante bem quando querem. Clareza nas frases, português correto e palavras mais sofisticadas para descrever as coisas são um pouco desta maneira de falar. O sotaque é, para nós brasileiros, bastante estranho inicialmente – parece que estão a falar em outra língua, mas nada como o hábito.

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2. Comecei a dar muito mais importância a Arte

Os portugueses (e a maior parte dos europeus) tem um sistema diferente de ensino – aqui, no 1º ano do ensino médio (secundário), os jovens escolhem qual é a área em que querem trabalhar e aprender: Humanas, Ciências, Artes, Economia, etc. Eu, como desde cedo escolhi fazer fotografia, optei pelo campo das artes e fui para uma escola especializada para tal. É incrível a maneira como eles são mais ligados a arte. Isso também é influência da história do país e dos países vizinhos. Além de haver um leque de opções culturais, como imensos museus e projetos.

Porém, todas as pessoas no ensino básico têm alguma formação sobre arte, coisa que no Brasil nós não temos. E faz falta. Estudar arte, além de aprender mais sobre a história, abre asas à imaginação e a criatividade. Para mim, esta descoberta foi muito importante, pois desprendeu-me das coisas reais e me fez pensar outside of the box 🙂

3. Os meus direitos são meus direitos, e devo lutar por eles

Aqui, como em toda a Europa, as pessoas lutam pelos seus direitos. Enquanto no Brasil temos o pensamento de “São todos ladrões mesmo...”, “Todo mundo sabe que eles roubam…”, aqui NÃO. Claro que em todo lado do mundo há corrupção, mas aqui ao menos as pessoas lutam para tentar acabar com isso. Manifestações, petições, etc. As pessoas saem à rua para lutar pelos seus direitos.

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4. Empregada 24/7 em casa? Nunca mais!

Quando eu morava no Brasil, tanto eu quanto todos os meus famílias e amigos tinham uma pessoa a trabalhar em casa 24 horas por dia. Eu achava que não iria conseguir viver sem a Lêda (a nossa querida secretária do lar que viveu conosco durante cerca de sete anos). Pois bem, quando eu cheguei cá tinha acabado de fazer 15 anos. Foi muito difícil tanto pra mim, quanto para minha mãe e meu irmão adaptar a esse novo estilo de vida. Limpar o quarto, arrumar a louça na máquina, fazer a cama, no início parecia um caso de exploração infantil. Com o tempo, ficamos habituados a fazer e não parecia um esforço tão grande.

Hoje, moro sozinha com o meu cãozinho Boris, e apesar de sermos poucos em casa, a bagunça e a sujeira está sempre presente. Eu limpo, cozinho, lavo, passo, dou banho ao menino, levo-o a passear na rua e estou viva! Portanto, liberte-se! Uma diarista para dar aquela faxina é uma pedida perfeita para quem tem uma vida ocupada!

5. Estar com a natureza – outside

Era uma coisa que eu não dava valor até há pouco tempo. Quando morava em Fortaleza, se quisesse dar um passeio no dia de sábado, íamos para o shopping. Em todo canto o que nós víamos era muros! Muros! Muros! Também por ser um lugar mais perigoso, estávamos sempre rodeados de muros. Depois de ter o meu Boris, fui obrigada a sair mais vezes para levá-lo à fazer o que ele tinha que fazer, na rua. Pensava, no início, que ia ser uma obrigação chata, mas esses passeios fizeram com que fosse espairecer, respirar um ar puro, estar fora dos muros.

É, meus caros, por isso que quando os Europeus, quando vão para o Brasil, ficam todos vermelhos! Eles gostam de ar livre, natureza. Além de que aqui, chove muito mais e há semanas em que nem vemos o sol. Isto faz muita falta para o organismo, todos precisamos de sol! É por isso que aqui, no inverno, quando o nosso amigo aparece, todos tentamos ao máximo apanhar um banhinho de vitamina D.

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6. Não “andamos todos na escola”

Aqui, esta expressão é bastante utilizada. Significa não somos amigos para falares assim comigo. Como por exemplo, muitas vezes no Brasil, não conhecemos uma pessoa e falamos como se fosse o nosso melhor amigo. Distância e respeito são bastante zelados por aqui. Quando estamos num restaurante tratamos o garçom como “senhor” e não como “ei psiu… amigo”. Já ouvi muitas vezes brasileiros que vieram passear a afirmar: “Os portugueses são tão mal educados!”; claro que há faltas de educação em toda parte do mundo, mas há uma diferença, que muitas pessoas não conhecem, entre bajulação e educação. Pode ser, muitas vezes, que não lhe abram um sorriso quando forem à uma loja ou restaurante, mas com certeza um “bom dia”, “com licença” e “obrigado” vão ouvir.

7. O mundo é muito grande!

E o que eu mais aprendi é que o mundo é enorme. Saia da sua zona de conforto, viaje, conheça, cometa loucuras! Temos muito para aprender com os outros e com novos lugares! Do something crazy today!

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Todas as fotos © Amanda Teixeira

Com o passar de todos esses anos, em Junho de 2015 voltei ao Brasil, para umas breves férias. Ao retornar para Lisboa percebi que durante muitos anos me senti sem um lugar – em Portugal era brasileira, e no Brasil era portuguesa. Hoje sinto, que na realidade, tenho dois lugares para chamar de “casa”.

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Para acompanhar as aventuras da Amanda, siga o Facebook  e o Instagram dela.

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