Brasileiros Viajantes

12 hábitos dos chineses que mudaram minha vida

Hoje, quinta-feira, é dia de estreia do mais recente quadro do Nômades DigitaisBrasileiros Viajantes é uma volta ao mundo guiada por pessoas que deixaram o Brasil e começaram suas vidas em outras cidades do planeta. Da Europa à América, da África à Ásia, vamos convidar brasileiros espalhados pelo mundo a compartilhar suas experiências, aprendizados, dicas ou mesmo medos e inseguranças, inspirando e ajudando outros brasileiros em suas aventuras. Para começar, convidamos Christine Marote, que escolheu um lugar bem peculiar pra viver.

Christine

A China é um país riquíssimo em cultura, coisas lindas, arquitetura maravilhosa e… Um monte de hábitos estranhos para nós, ocidentais. Mas com o passar do tempo você vai se adaptando aqui e ali, e quando percebe, incorporou alguns desses hábitos na sua vida.

Outra coisa que acontece muito frequentemente é você desenvolver um lado seu que simplesmente não sabia que existia. Aqui as surpresas são diárias, todo dia é ‘um flash’ parodiando uma antiga expressão. Rotina é algo meio subjetivo e aprender a lidar com as ‘adversidades’ de se viver num país com cultura tão diferente da nossa é uma escola e tanto.

No final, colocando na balança os prós ainda são maiores que os contras para mim. E sempre digo às pessoas que me procuram, dizendo que querem vir para a China: venha de mente e coração abertos. Senão você não vai conseguir sobreviver por aqui.

1. Beber água quente

Durante minha primeira estada na China, em 2005, entrei num salão para fazer a unha e a chinesa me trouxe um copo de água quente. Tomei o maior susto quando coloquei na boca, aquilo não era chá. Era água! Mas… passados quase 10 anos, aqui estou eu com meu copinho de água quente várias vezes ao dia. E quando vou ao Brasil, quase enlouqueço porque não sai água quente do bebedouro.

2. Tirar os sapatos antes de entrar em casa

Na realidade, na minha casa não tiro na porta e nem peço para ninguém tirar. Mas a maioria das pessoas que conheço adquiriu esse hábito ao mudar para a China. Apesar de ainda achar estranho quando vamos a uma festa, por exemplo, já que 50% da minha produção é baseada no sapato que escolho. No começo ficava inconformada. Agora já encaro na boa. E a dica é: no inverno, cuidado com as meias que usa.

3. Usar os superlativos é uma necessidade

Na China nada é grande, tudo é imenso. Uma ponte não é uma ponte somente: é uma construção que supera em distância e altura as demais do mundo e da própria China. Os eventos não são bem produzidos: são mega-eventos. Os shoppings não são enormes: são gigantescos. E assim vai… Então ou você aprende a usar os superlativos, inclusive em inglês e mandarim, ou jamais conseguirá descrever tudo que viu pelas terras de Mao.

Obras

4. Fazer fotos com o ‘V’ de vitória 

Na realidade não sei ao certo se eles usam esse gesto com esse significado, mas não há chinês que não tire uma foto sem dar aquele sorriso de orelha a orelha e levantar as duas mãos com os dedos em ‘V’. E aí, você tanto vê que acaba incorporando os hábitos. Fazer o quê?

5. Comprar no TAOBAO

Eu sempre fui avessa a compras online. O máximo que me arriscava era um livro ou CD. Mas aqui tem o Taobao. Aí todos os seus conceitos sobre compras online mudam. Principalmente porque ninguém está vendo que não tem olhos puxados, e não inflacionam o preço. E tenho que reconhecer que, se há algo que funciona perfeitamente na China, isso se chama Taobao. E aí você pode comprar tudo o que você imaginar. Brinco que, se quiser, dá para comprar até uma mãe nova. Hoje compro quase tudo online. E, como os chineses, se estou na rua e vejo algo que gosto, fotografo, chego em casa e vou vasculhar o site até encontrar.

6. Ter (muito) dinheiro na carteira

Até que atualmente está mais simples pagar suas compras com cartão de débito, mas de maneira geral é necessário ter sempre dinheiro vivo na carteira. Muitos locais ainda não aceitam os cartões e fica impossível comprar. Especialmente em locais fora da ‘bolha’ que é Shanghai.

7. Olhar para todos os lados ao atravessar a rua

Sim, mesmo numa rua de mão única é necessário olhar para frente, para trás, direita e esquerda, e mesmo assim a possibilidade de ser atropelado por uma bicicleta ou por uma scooter elétrica é imensamente maior que sua atenção. Na realidade eu recomendo que essa precaução seja tomada assim que se abre a porta para sair de dentro de casa ou de uma loja. Aqui a calçada não é um lugar de pedestres somente. E faixa de segurança é algo como decoração no asfalto. Fica a dica.

8. Usar botas UGG

Sempre achei essas botas o cúmulo da falta de estilo. Eu (e minhas dezenas de sapatos de salto, incluindo o chinelo de praia) não conseguia sequer imaginar usando aquele negócio que parece mais uma pata de elefante. Pois é… Sabe o frio? Então, não existe coisa mais gostosa para se usar no dia a dia do que as UGGs horrorosas (meu padrão estético não mudou. Só a minha capacidade de adaptação ao conforto da vida real).

9. Um pouco de ‘má educação’ é questão de sobrevivência

Sempre digo que uma das coisas que aprendemos na China é a ser mal educados. Isso porque se a gente for muito educado, muito cheio de ‘por favor, me faz isso’, ‘por favor, poderia me dar uma informação’, você simplesmente é ignorado. Daí o que nos resta é respirar fundo e bater a mão na mesa dizendo ‘Eu QUERO isso AGORA ou vou chamar seu chefe’. Pronto… Parece mágica, tudo acontece num piscar de olhos. Sinceramente, não tenho muito ‘orgulho’ disso, nem acho engraçado. Mas é a realidade.

10. Conceito de multidão

Isso é algo básico por aqui. Nada é vazio, dificilmente a gente se vê sozinho numa rua, num shopping. Sempre é gente por todos os lados. E quando é feriado e final de semana então? Andar pelas ruas é praticamente impossível. Aquela sensação de que se você levantar o pé vai continuar andando do mesmo jeito.

Multidão

11. Aperfeiçoando a paciência

Olha, ou você desenvolve o seu lado ‘zen’ aqui, ou terá um infarto por dia. A lógica deles não tem a mínima lógica para nós. O sim pode ser não e quando se ouve “I’ll try to do my best” (eu vou tentar fazer o meu melhor), esquece, porque não vai sair nada. Se disserem que vão pensar, também significa um não bem redondo. E a noção de tempo, de urgência então? Ou você respira fundo, conta até 10 (em mandarim de preferência, para demorar mais e ir treinando seu vocabulário), e começa a repetir tudo de novo, ou você desiste de vez. A segunda opção é muito usada pelos estrangeiros de modo geral.

12.   Nunca diga nunca

Essa foi à lição mais redundante que aprendi aqui. Já fiz tantas coisas que jurava que nunca faria que, sinceramente, risquei essa palavra do meu vocabulário. Começando por tópicos que escrevi (o da água quente e as botas UGG), até experimentar o terrível ‘Baijiu’ (bebida tradicional chinesa). E, depois de tantos anos, ainda me vejo quebrando meus paradigmas.

Com certeza depois que entregar esse texto vou lembrar muitas outras coisas que incorporei na minha vida chinesa e, no final, nem percebi! Mas o importante é que a experiência que temos aqui é incomparável. Sempre digo que ninguém vem viver na China e volta ileso ao seu país. Com certeza, mesmo com todas as coisas estranhas e as dificuldades com a língua e adaptação, um pedaço do seu coração ficará no oriente.

Zài Jiàn!

Ass-christinemarote

Christine relata sua experiência de mais de nove anos no site ‘China na Minha Vida’ e é voluntária na Baobei Foundation.

Fotos: Christine Marote

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