Brasileiros Viajantes

12 curiosidades sobre o estilo de vida no Uruguai

Quinta-feira, como é habitual, é dia de mais uma contribuição para o quadro Brasileiros Viajantesuma volta ao mundo guiada por pessoas que deixaram o Brasil e começaram suas vidas em outras cidades do planeta. Nesta edição, regressamos à América do Sul e a um país bem próximo do Brasil.

O Uruguai está em evidência: as medidas políticas do governo Mujica ecoaram no mundo inteiro e despertaram a atenção das pessoas no que diz respeito ao estilo de vida do pequeno país do sul das Américas.

Nesse texto, conto 12 curiosidades sobre nossos vizinhos que você talvez ainda não soubesse!

1. Cultura rio platense

Vivendo no Uruguai, ou simplesmente vindo a passeio, você percebe que eles dividem muitas características com os hermanos argentinos. Pudera, as capitais estão separadas apenas pelo rio e historicamente a região não tinha tão marcada o que era identidade de um lado ou de outro. Restou, então,  uma polêmica sem fim sobre as origens do tango, doce de leite, empanadas, etc.

Rivalidade de vizinhos, sabe como é, mas é notório que os argentinos souberam canalizar e ‘vender’ melhor suas tradições para o mundo. Afinal quando se pensa nessas coisas poucas pessoas atribuem a origem ao Uruguai, mas saiba que sim, o tango e doce de leite também nasceram aqui.

2. Rambla

Montevidéu é a capital do país e nela se concentra praticamente metade da população uruguaia. É a cidade menos pacata do Uruguai, não obstante, ainda guarda um ar nostálgico e é fácil encontrar os uruguaios aproveitando as tardes de fim de semana na orla. Vale levar cadeirinha, caixa térmica, o mate e ficar curtindo o dia como se estivesse no quintal ou na varanda de casa.

A orla do Rio de la Plata, chamada rambla, é como um personagem a mais na cidade. As pessoas vão aí passear, fazer exercício, namorar, pescar ou ver o por do sol.

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3. Mate

O consumo de mate (similar ao chimarrão) é excessivo no Uruguai. Chega a ser curioso vê-los passar com o inseparável termo debaixo do braço e a cuia na mão. Há quem prefira levar a matera para transportar o kit, então é comum também ver uruguaios com umas bolsas de couro a tiracolo.

Eles tomam a bebida quente e amarga (não agregam açúcar), seja no inverno ou verão. Há até máquinas de água quente em postos de gasolina pensadas para reabastecer a água do termo!

4. Carnaval

O carnaval mais longo do mundo é aqui, são cerca de 40 dias de festejos. Não, não vemos folia e multidões nas ruas durante todo esse período, o conceito da festa é um pouco diferente – as apresentações ocorrem principalmente em tablados e teatros.

O ritmo é ao som das murgas e candombe. A murga tem um conceito mais teatralizado: é interpretada por um coro acompanhado de instrumentos musicais e geralmente as canções têm como tema questionamentos políticos e sociais. Já o candombe é um ritmo percussivo de origem africana representada por grupos – comparsas – que desfilam na batida de três tipos de tambores – chico, piano e repique – e tem músicos e bailarinos com vestimenta tradicional, personagens africanos e coreografia.

E no norte do país – já na fronteira com o Brasil – a festa é ao ritmo de samba, com direito a escolas, passitas, bateria desfilando e tudo mais.

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Candombe retratado pelo artista plástico uruguaio Carlos Paez Vilaró, criador também da lindíssima Casa Pueblo.

5. Encontros e asados

Reunião com amigos, aniversário, casamento, despedida ou qualquer evento é sempre um bom motivo para celebrar com churrasco. Come-se tanta carne no Uruguai que dizem que para cada uruguaio há três vacas no país.

A parrilla uruguaia é um clássico e há quem atribua o segredo do sucesso à geografia plana do país, ou em razão da carne ser assada com lenha e não com carvão. Não sei qual é o segredo, mas a carne é sensacional e faz a alegria de locais e turistas.

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6. Paixão pelo futebol, paixão pela Celeste

O uruguaio é apaixonado por futebol, tanto ou mais que nós brasileiros. A seleção uruguaia – carinhosamente chamada de ‘la celeste’ – é um caso de amor contagiante. Em pouco mais de 3 anos vivendo aqui, já me deixei levar e torço junto.

O ‘maracanazo’ é a glória máxima do futebol, t-o-d-o uruguaio conhece a história e, com a proximidade da Copa no Brasil, o sonho de repetir a façanha ganhou força no coração das pessoas. Era um dos assuntos mais comentados nas conversas de bar, publicidades na tv, etc.

7. Por do Sol

Sempre coloco ‘ver o por do sol’ na lista do que fazer no Uruguai. É simplesmente belo e vale a pena parar um tempo para curtir esse momento.

Você irá lembrar do por do sol no Rio de la Plata como um dos mais lindos do mundo!

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8. As estações não são iguais

No Uruguai a passagem das estações é bem definida, quase como um roteirinho de filme que nunca pude viver na Bahia, porque o ano inteiro sempre era verão ou verão com chuva.

Aqui no outono as árvores ficam amarelinhas e as folhas caem, na primavera florescem, no inverno faz frio e no verão, ah o verão… é muito quente, os termômetros marcam facilmente 40 graus em todo país e o sol dá pinta até às 22h. Saímos do trabalho e ainda dá de fazer uma graça na rambla, uma delícia!

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9. Feiras

Acho a relação de consumo do uruguaio – e a necessidade de ostentação – bem diferente da do brasileiro. Aqui chamam de ‘bajo perfil’ esse jeito tranquilão e mais simples de ser.

Não sinto uma necessidade frenética pelo novo, as coisas tendem a acontecer um pouco mais devagar. Talvez por isso sinta sempre esse ar nostálgico e vintage na cidade, até mesmo quando estou nos lugares mais cool e moderninhos.

Seguindo essa linha de consumo, é interessante acompanhar como há feiras em Montevidéu, desde os mercados de pulgas, lugares de second hand às feiras que acontecem diariamente. A mais tradicional – e lendária – é a feira de Tristán Narvaja, onde basicamente se pode encontrar de tudo. Depois tem as feirinhas do Parque Rodo, Villa Biarritz e as de bairro vendendo frutas e verduras. A gente encontra esse modelo de feira tanto nos bairros de padrão mais caro como nos mais simples.

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10. Moeda

O câmbio de moedas confunde, chegamos e trocamos um real por aproximadamente 10 pesos uruguaios, saímos ricos de números, mas é só começar a gastar para perceber que as coisas não custam necessariamente 10 vezes menos do que no Brasil.

O custo de vida para quem tem fonte de renda no mercado de trabalho uruguaio é alto e ganhar em pesos e gastar em pesos não é uma conta tão fácil de equilibrar. Mas para quem vem de fora, o custo é relativamente parecido ao Brasil.

11. Balada às 2h da manhã

Cair na farra em terras charrúas requer disposição, já que as festas geralmente começam a partir das 2h da manhã.

E não estranhe se no meio da noite rolar uma sessão de old music. É que aqui é normal reviver sucessos do passado, não é nada cafona. Diariamente você pode ligar a rádio e escutar “Sexy Yemanjá” do Pepeu Gomes bombando logo após a canção lançamento da semana. Tanto é assim que uma das festas mais aguardadas do país é a tradicional Noche de la Nostalgia, no dia 24 de agosto. Todo o país revive os anos de ouro: na vitrola só sucesso antigo e na balada jovens e não tão jovens dançando felizes, em uma noite especial e de muita diversão.

12. Há um vilarejo para todos os gostos

As pequenas cidades do interior ou litoral do país revelam ótimas surpresas.

E apesar do território mais reduzido, aqui encontramos uma variedade de destinos. Você pode se jogar no luxo e glamour na badalada Punta del Este, curtir o ar pitoresco e rústico da incrível Cabo Polonio, se deixar levar pelo charme da encantadora Colonia del Sacramento ou ainda relaxar nas piscinas de águas termais de Salto.

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Conhecer o Uruguai é uma experiência fascinante! Aproveite também!

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Todas as fotos © Jamile Cardoso

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