Brasileiros Viajantes

10 curiosidades tchecas as quais me adaptei ao morar em Praga

Nessa quinta-feira o quadro Brasileiros Viajantes leva-nos de volta à Europa, dessa vez através da experiência de Rachel Duarte, uma brasileira que pensava estar por Praga, capital da República Tcheca, apenas de passagem, mas que acabou ficando mais do que seria de prever. Rachel não se arrepende da oportunidade de conhecer melhor a cidade e o povo e vem compartilhar com a gente o que mais viu por lá.

Praga é um lugar belíssimo, cheio de lendas, contos misteriosos e magia. Andar pela cidade e sentir esse clima é uma delícia. Você se teletransporta para uma outra era.

Aqui eu me sentia completamente um peixe fora d’água, o que é completamente normal quando se vai morar em um lugar super diferente ao que você nasceu ou viveu a maior parte da vida. Mas devo admitir que eu sempre gostei dessa sensação de me sentir diferente aos demais, desde pequena eu me acho uma estranha no ninho e, obviamente, aqui não foi diferente. A sensação foi mais latente!

1. Olhar a cidade

O que mais me chamou atenção foi o ar de mistério que ocupa a cidade. Com construções medievais e góticas, ruas estreitas e escuras, pouco iluminadas, Praga ganha um ar sombrio digno de um filme de suspense. Principalmente no inverno, em que escurece cedo, às 16h já está um breu! Para mim, uma carioca nata que está acostumada a andar sempre alerta pela rua, caminhar na escuridão sozinha foi muito assustador, com direito a frio na barriga, mas ao mesmo tempo foi fascinante poder admirar sem menor problema as belezas proporcionadas pela pouca iluminação.

Cada canto das ruas tem uma história pra contar e fatos a serem descobertos. Quando se chega do aeroporto, no sentido do centro, se vê vários paneláks, nome dado ao prédios construídos em blocos de concreto pré fabricados feitos na era comunista, mais precisamente no pós guerra, com o intuito de promover quantidade de moradia suficiente para a população a preço acessível, além de tentar promover a união das pessoas nesse momento tão difícil. Chegando ao centro, já há uma mistura de edificações góticas, barrocas, art nouveau e modernas. Porém, no centro histórico, que desde 1992 faz parte do patrimônio mundial da UNESCO, não há nada de moderno, o que me faz viajar e imaginar algumas histórias que aconteceram por ali.

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2. As pessoas

O povo tem a fama de ser grosseiro, mal humorado e mal educado e isso, às vezes, pode ser verdade. Aqueles que se enquadram nesses adjetivos justificam isso com os anos de opressão devido à guerra e ao comunismo. E então, no decorrer do tempo, fui conhecendo mais tchecos e percebendo que realmente essa postura se aplicava aos mais velhos (não todos) e que as pessoas mais jovens são mais simpáticas. Talvez por serem de outra geração, sem acidez com o passado. Uma característica comum a ambos é a discrição. Diferente de nós, eles não são tão falantes e expansivos – são reservados e pouco falam da vida particular, mas adoram um humor negro e seco.

3. O clima

Uma coisa que influência também no humor das pessoas é o clima. Na minha primeira ida fez um frio de matar! Gente, sério! A pessoa sai do Rio de Janeiro em pleno início de dezembro com clima de 40 graus na sombra e chega com uma temperatura em Praga de -17 graus!? No início tudo era lindo, diferente, fofinho, eu queria sair pra ver todos os lugares branquinhos. Depois a preguiça começa a tomar conta e não se tem vontade de fazer muita coisa, tudo tem que ser indoor com muita conversa, vinho e calefação no máximo.

E quando o gelo começa a derreter na rua? Algumas calçadas, como no centro da cidade, são feitas tipo pedras portuguesas só que em mármore (!) e nem todas as ruas são planas. Aquilo vira um sabão! Chega a ser cômico. Todo mundo anda igual pinguim (depois disso que fui entender a maneira engraçadas desses bichinhos andarem!). Se você for no inverno, repara como tem gente andando de muleta!

Já o verão é uma festa! Todo mundo fica na rua até tarde, aproveitando que o pôr do sol é lá pelas 21h. Os parques ficam lotados (os parque são as praias da maioria dos europeus) até escurecer e cada pessoa sempre está se deliciando em uma cervejinha (que, por sinal, é puro amor na República Tcheca) e devorando um queijo frito ou uma klobasa (linguíça tipo defumada). É uma felicidade, pura alegria, todos sorrindo, uma simpatia só! É a estação do ano mais aguardada, porém não vá esperando por 3 meses de puro calor, 40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Não é bem assim! Faz um calor gostoso, que no sol fica ótimo, quente e na sombra dá para colocar um casaquinho, principalmente a noite. O período mais quente é entre o meio de julho e o meio de agosto.

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4. A língua

– Dobrý den kamarád. Jak se máš?
– Ahoj! Se mnou je všechno v pořádku a vy?
– Dobře dobře.
– Na shledanou

OI!? Imagina a cara da pessoa quando ouviu esses palavrões pela primeira vez? Pensa na cara de alguém forçando os olhos pra ler alguma coisa sem óculos, agora acrescenta a boca aberta! É impossível entender uma vírgula que esse povo fala. Tem que estudar muito pra começar a decifrar uma frase inteira, e dependendo do contexto é bem capaz de ficar boiando. Traduzindo o que está escrito:
– Bom dia amigo. Como você está?
– Oi! Comigo está tudo bem e com você?
– Tudo bem também.
– Até logo
Não são todas as pessoas que falam inglês, mas a maioria dos jovens fala. Se você for ao caixa do supermercado, não vai achando que a tiazinha vai conseguir entender você, mas se você for nos inúmeros mercadinhos vietnamitas espalhados na cidade, pode ter certeza que aí mesmo é que ninguém vai entender uma palavra em inglês que você disser. E não são todos os restaurantes que têm cardápio em inglês. Mas desde a minha primeira ida até a última, as coisas em relação a isso estão avançando.

Uma coisa importantíssima para se aprender é como pedir uma cerveja! Isso é crucial em uma passagem por Praga.
– Jedno pivo, prosím
– Uma cerveja, por favor
Com essa frase, Praga está em suas mãos!

5. Cerveja

E por falar em cerveja – se você é um apreciador, então é um dever seu passar um tempo na República Tcheca! Esse líquido é puro amor e totalmente precioso por lá! Existem várias opções e nenhuma decepciona. Todo país toma cerveja. TODO! Acho que durante o tempo em que morei por lá, não teve um único dia em que o pão líquido não tenha feito parte da minha alimentação diária. A primeira frase em tcheco que aprendi foi como se pedir cerveja. Afinal, a gente tem que se virar nos apertos e ficar morrendo de sede não é humano.

Existem inúmeros bares espalhado por Praga, ou seja, a oferta é grande. Mas a primeira vez que tomei uma geladinha ela estava zero gelada. Cerveja quente, sabe? Assim na temperatura ambiente! Achei aquilo muito estranho mas fui tomando e eu e a pivo (cerveja em tcheco) fomos nos entendendo, fomos nos apaixonando. Nos envolvemos tanto que nem ligava mais pra sua temperatura, na verdade acostumei rápido pois dessa forma dá para sentir mais todos os sabores e conhecer melhor o pãozinho líquido amado. E uma coisa linda é que a cerveja é super barata! Tipo assim, meio litro por 3 reais!

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6. Cigarro

Se você é um ser fumante, Praga será o seu paraíso, meu amigo! Todos os lugares são livres para fumar. Diferente de outros lugares onde os fumantes são obrigados a fumar fora do estabelecimento ou em uma salinha mínima, aqui é o não fumante que vai pra salinha. Esse povo fuma mesmo!

Se seu time é anti-tabaco, lamento ter que te informar que sairá de todos os lugares com o mesmo cheiro dos que levam a fumaça pro interior do corpo. Não tem escapatória! Se você tiver alergia, imagino que essa notícia deva ser triste, mas a solução mais viável para contornar esse problema é ir para Praga no verão e aproveitar os bares e restaurantes que têm varanda a céu aberto.

7. Pagar a conta

Sair para um barzinho com os amigos e cada um pagar o que consumiu é a coisa mais normal, não é? Mas em Praga não é! No verão europeu, uns amigos brazucas foram me visitar. Viajamos para outros lugares, como Budapeste e Berlim, e em todas as vezes que a notinha vinha fazíamos as contas, dividíamos e cada um dava para o garçom o dinheiro ou o cartão para pagar o valor consumido. Em Praga isso resultava em resmungos dos garçons! Eles detestavam quando começava a brotar mais de um cartão e notas de dinheiro na mesa. Alguns ainda sugeriam, um pouco mal criados, que somente um deveria pagar a conta.

8. Falar baixo

Eu, e provavelmente você que está lendo este texto, sou latina e alguns de nós adoramos falar gesticulando e em alto e bom som. Imagina uma pessoa que, quando se empolga, começa a falar mais alto e é craque em pagar micos? No início chegava a ouvir alguns amigos fazendo “Shhhh” pra mim. Realmente não tem porque falar mais alto quando ao seu redor as pessoas estão conversando normalmente. No começo foi difícil, afinal eu sou acostumada a lugares barulhentos e a falar mais alto no clímax da conversa, mas depois de muitos “fala baixo, Rachel” eu aprendi!

9. Mendigos

Na verdade não se vê muito morador de rua com um cobertor, um papelão e um cachorro do lado. Por lá, os pedintes ficam sozinhos e agachados esperando por alguma esmola. A primeira vez, e outras depois, eu continuava achando aquilo tão angustiante. Eles se agacham todo, abaixam a cabeça e ficam ali por muito tempo.

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10. Assoar o nariz

No meu primeiro dia em Praga fazia frio, era dezembro! E já nesse dia eu aprendi que assoar o nariz na frente de todo mundo em uma mesa de restaurante ou em qualquer outro lugar é a atitude mais normal de todas.

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Todas as fotos © Rachel Duarte

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