Viagem

10 curiosidades de uma brasileira sobre a vida na Itália

Depois da Turquia, o Brasileiros Viajantes vai até à Itália, guiado pela mão de Joyce Preira, uma brasileira que vive no país da bota há 7 anos. Hoje ela nos conta as maiores curiosidades da vida nesse país tão encantador:

Antes de vir morar no bel paese, meu conhecimento sobre a cultura, hábitos e costumes italianos beirava o senso comum. Na minha rasa concepção até então, a Itália era uma alquimia de moda, design made in italy, gastronomia à base de carboidrato preparada pela matriarca e servida em toalha de mesa quadriculada e detalhes menos significantes, como por exemplo os nomes das tartarugas ninjas, inspirados em grandes gênios do renascimento italiano: Donatello, Leonardo, Michelangelo e Rafael.

Além de outros aspectos do modo de vida dos habitantes da península que aprendi graças à Benedito Ruy Barbosa, com Terra Nostra e Rei do Gado ou vendo a trilogia de O Poderoso Chefão, ou seja, muita coisa interessante misturado com o puro estereótipo e a certeza de que nada mais me surpreenderia por aqui. Ledo engano.

Ecco* (“Aqui está”) a minha lista de curiosidades:

1. Filmes dublados

Os filmes estrangeiros são todos dublados, tanto na TV quanto no cinema. Uma lei do regime fascista vetou a entrada no país de filmes estrangeiros em língua original ou dublados no exterior, com a finalidade de controlar e, muitas vezes, modificar o conteúdo das películas. Nos anos 40, cinéfilos intelectuais fizeram um manifesto para que utilizassem legendas nos filmes, porém a indústria cinematográfica da época alegou que era tarde demais e as pessoas já estavam habituadas com a prática. Desde então é cultural, a grande maioria dos espectadores não conhecem as verdadeiras vozes dos atores estrangeiros e os dubladores italianos são considerados os melhores do mundo.

2. Turismo ético

Infelizmente, organizações mafiosas como Cosa Nostra não fazem parte apenas da ficção e realmente existem em algumas regiões da Itália. Em certos casos, elas agem exigindo propinapizzo em italiano – de comerciantes locais que, por medo, acabam cedendo à extorsão. Por causa disso, em 2004, um grupo de amigos sicilianos se rebelaram contra esta forma de controle da máfia e criaram um comitê denominado AddioPizzo (“Adeus Pizzo”). A partir de então, o comitê apoia o turismo ético através de inúmeras iniciativas, desde a divulgação de listas citando comerciantes da região que não pagam o pizzo, à manutenção de cooperativas agrícolas para cultivar as terras que foram confiscadas dos chefes mafiosos e a criação de roteiros turísticos para quem quiser conhecer a história da máfia na Sicília ou, simplesmente, viajar por lá sem se hospedar em hotéis ou ir a restaurantes que ainda pagam o suborno.

Saiba mais aqui.

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3. Síndrome de Sthendal

Também conhecida como Síndrome de Florença, é um barato por excesso de arte e beleza que acomete turistas sensíveis. No início dos anos 80, a psiquiatra florentina Graziella Magherini iniciou uma pesquisa a partir de relatos de turistas que chegavam ao hospital com síntomas que iam desde vertigens, taquicardia à alucinações, tudo isso depois de serem expostos à obras de arte nos museus da cidade. O nome escolhido para o distúrbio foi homenagem ao escritor francês Sthendal que foi o primeiro a descrever detalhadamente a perturbação sentida após visitar a Igreja Santa Croce, em Florença, no final do século XVIII.

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4. O Slow Food é made in Italy

O movimento em oposição ao fast food, que valoriza a gastronomia local à km zero, nasceu na Itália em 1986 quando o jornalista Carlo Petrini organizou um ato de protesto contra a instalação de um McDonald’s em plena Piazza di Spagna, no centro histórico de Roma. Hoje é presente em 132 países e possui mais de 100 mil pessoas envolvidas em todo mundo. O objetivo maior é que as pessoas redescubram os sabores e aromas da cozinha regional e eliminem os efeitos degradantes do fast food.

5. O aborto é legal

Desde 1978, a interrupção voluntária da gravidez até 13 semanas de gestação é legalizada por lei.

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6. O povo que mais gesticula no mundo

Os gestos italianos são verdadeiros códigos de comunicação. Estudiosos da Universidade Tre de Roma identificaram mais de 250 gestos usados no cotidiano da população e que vão muito além de folclore pitoresco: os italianos desenvolveram a linguagem gestual como alternativa de diálogo durante o período que viveram sob ocupação estrangeira da Áustria, França e Espanha – desta forma os invasores não os entendiam.

O New York Times fez um vídeo sobre isso, olha só.

7. Patrimônio da UNESCO

A Itália é o país que possui o maior número de sítios declarados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

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8. Existem centenas de dialetos

A língua italiana possui pouco mais de 150 anos e a península era uma verdadeira torre de babel. Cada região falava – e ainda fala – o seu próprio dialeto e o dialeto toscano, no qual Dante escrevia suas obras, foi escolhido como língua unitária.

9. Beijos

Homens também se cumprimentam com beijos no rosto, assim como as mulheres. O detalhe é que os beijos são do lado oposto de que estamos acostumados, o que faz no início você distribuir selinhos sem querer.

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10. Mobilidade sustentável

Pelo terceiro ano consecutivo, a Itália vendeu mais bicicletas do que carros. Existem inúmeros projetos que incentivam a mobilidade sustentável, como por exemplo as bicicletas anárquicas de Rovereto, província de Trento no norte da Itália. A prefeitura disponibilizou bicicletas com um chip antifurto pelo centro histórico da cidade e qualquer pessoa pode utilizá-las sem cadastro ou algum tipo de controle. É só avistar uma das bicicletas e sair pedalando pela cidade, podendo deixá-la em qualquer lugar até que outra pessoa a encontre.

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Todas as fotos © Italian Cycle Chic

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