Brasileiros Viajantes

10 coisas que você deveria saber antes de vir para Amsterdam

Esta semana, o convidado no quadro Brasileiros Viajantes é Daniel Duclos, um brasileiro que se mudou para a Holanda, mais especificamente para Amsterdam, com a sua mulher, também brasileira, e com quem teve uma filha já em solo holandês. Quem acompanha o Nômades Digitais já leu, certamente, muita coisa sobre as belezas da cidade, mas nada como os conselhos de quem lá vive para nos esclarecer melhor.

Vem ver a lista de 10 coisas que você precisa saber antes de ir morar em Amsterdam:

1. A “Disneylândia de adultos” é uma imagem para turistas

Quando descobrimos que iríamos nos mudar para Amsterdam em 2007, eu ouvi de todo mundo “Amsterdam, é, sei…” (sorrisinho). Bem, de quase todo mundo – uma galera nem disfarçava e já saía detonando: “Aeeeeeee, vai ficar doidão 24 horas por dia” e explodiam numa execução de “Vivendo la vida loca” improvisada ali mesmo.

Eu achava meio besta isso, porque nem era minha intenção (nerd careta, eu sou), mas… quem pode culpá-los? Essa é uma imagem que Amsterdam embala e exporta para turistas virem e verem. Mas se você esticar o pescoço um tico mais pra direita ou pra esquerda, você vai descobrir duas coisas: primeiro, a cidade é bem mais interessante do que o clichê maconha-meninas-na-vitrine que, vamos ser sinceros, nem precisa atravessar o Atlântico pra achar. E dois, na real, Amsterdam é uma cidade bem família, com os locais mais deitando cedo e indo levar criança nos parquinhos do que vivendo la vida louca.

 2. É uma cidade com rica história apesar de “jovem”

Amsterdam completa 739 anos em 2014, praticamente uma guria que rouba goiaba no quintal de Londres e Paris e outras capitais europeias tradicionais. Apesar disso tem já uma rica história.

É claro que você pode descobrir muito dessa história visitando o Amsterdam Museum (do qual muito me expulsaram para poder fechar, já que eu passava o dia todo lá). Mas é legal também buscar os sinais dessa história pela cidade, em detalhes que todo mundo passa e nem dá tento. Está vendo aquela torre? Ela era parte do antigo muro medieval da cidade. Vai entrar no shopping? A entrada é o antigo portão da prisão da cidade, preservado por causa de uma bela escultura. Olha os nomes das pontes, escritos numa fonte criada durante o movimento arquitetônica da Escola de Amsterdam.

Tudo o que você vê tem história, e brincar de detetive para achar as pistas desse rico passado é um dos meus jeitos favoritos de descobrir a cidade.

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3. É a cidade das bikes

‘Tá, você já sabe disso, mas vamos especificar mais: bike aqui é coisa séria, é transporte e elas são as donas da cidade. Leva um tempo pra você se acostumar com isso – aprender a enxergar as ciclovias, a olhar para os dois lados sempre, a entrar no ritmo “bicicletístico amsterdanês” de existir, que só é caótico na aparência. Calma, isso é uma coisa boa.

E quando você andar de bike, lembre-se: aqui elas são trânsito, e você pode estar passeando, mas os locais não estão; eles estão indo e voltando do trampo, indo fazer compra no mercado, voltando da casa da namorada, atrasados pra reunião… Preste atenção, leve o trânsito a sério, seja como pedestre seja como ciclista, preste atenção às regras, e você vai descobrir que uma cidade se move na força do pedal sobre duas rodas é uma coisa muito boa.

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5. Os canais não são só enfeite

Os canais de Amsterdam são lindos, mas não estão lá só pra enfeitar feito brinco de pérola em orelha de madame. Eles oferecem uma camada extra de espaço útil pra cidade, e Amsterdam toma pleno partido disso.

Eles servem como via de transporte (com tudo o que é tipo de veículo flutuante passeando por eles, desde minúsculos botinhos, com apenas uma pessoa, até enormes cargueiros cheios de coisas), lazer, abrigam moradias (as casas-barco, que estão ligadas à rede de esgotos da cidade – ao menos em teoria é proibido dar descarga direto no canal), e uma fauna, e servem como receptáculo favorito de bicicletas indesejáveis. Tá, essa parte não é bonita, mas existe e é praticamente uma tradição amsterdanesa, de fazer tibluft com uma bike indesejável no canal. Não estranhe se ver uma barca da prefeitura dessasoreando o canal das bikes velhas…

De toda a forma – canais são mais do que um belo fundo pra fotos (são isso também), e vale a pena explorá-los.

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6. Super combina com crianças

Bom, já falei lá em cima que esse lance todo de Disney de adulto é propaganda pega-turista, mas vou mais adiante: Amsterdam super combina com crianças.

Tem museus bacanas pra levar a gurizada, como o Museu Marítimo de Amsterdam (Scheepvaart Museum) e o NEMO (Museu de ciências), os parques têm playgrounds e fazendinhas de bichinhos (e o Vondelpark está bem longe de ser o único parque legal de Amsterdam), tem o andar -1 da Biblioteca Central de Amsterdam (OBA), tem… Vish, tem coisa demais! Tem o Zoo, tem o Horto Botânico e tem a própria cidade.

Cada idade vê a cidade de um jeito, e compartilhar estas visões uns com os outros na família é uma grande aventura.

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6. O clima é louco

Digo, literalmente. O tempo vira a toda hora e a resposta à pergunta – “como tá o tempo aí?”, mais parece com narração de futebol: “Tá bom, abriu o sol, opa, cortou um vento, fecha o tempo, vira as nuvens, choooove, lançou o granizo, venta de cá, venta de lá, tiiiiiira a tempestade e abre o sol! O sol! SOOOOOOOOOOL! *comemoração*”.

Quando eu digo isso de o clima ser louco, pessoal de Sampa e de Curitiba em geral vem tirar onda, “ahhh, tô acostumado, na minha cidade é mui…” Não, não é mais doido. Amsterdam ganha. Venha preparado.

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7. Cerveja aqui vai bem além da Heineken

Falou em cerveja holandesa, pessoa pensa em Heineken… assim, eu sei que no Brasil é uma cerveja premium, mas aqui ela é a cerveja barata do supermercado que a galera toma em dia de jogo. Todo o respeito, tem seu valor, mas há muito mais o que explorar em matéria de breja.

Por exemplo, dá pra sair das Pilsners e ir descobrir outros tipos de cerveja, e a Holanda não passa vergonha diante de seus vizinhos cervejeiros famosos, Bélgica e Alemanha. Se você não estiver convencido, dá um pulo no Arendsnest, pub que só vende cerva holandesa. Eu truco, retruco e peço nove com zap que você não vai mudar de ideia.

Amsterdam tem também uma certa cena de micro cervejarias locais, como a Brouwerij ‘t IJ e a De Prael, ambas com salão de degustação (a ‘t IJ fica ao pé de um moinho e já virou atração obrigatória na cidade).

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8. É uma cidade segura – mas nem por isso vacile

Comparado com muitas cidades de seu tamanho, Amsterdam é uma cidade segura. Crimes violentos ocorrem, mas são raros. Agora, nem por isso dá pra gente vir babando arco-íris e vendo unicórnios e sair largando laptop desacompanhado em cima de mesa de café porque “ó, estou no primeiro mundo”. Tem furto sim, tem batedor de carteira, tem agarra a bolsa e sai correndo. Mas é só tomar uns cuidados básicos que todo brazuca aprende no berço e pode até baixar um pouco o nível de paranóia.

Ignore os junkies pedintes, nunca compre uma bike na rua por €10,00 (é roubada, óbvio), de modo algum compre droga oferecida na rua, não fotografe as meninas do Red Light, não desça na última estação do metrô na ponta oposta da Centraal meia noite e vinte e saia dando rolê com uma câmera no pescoço e dizendo alto “nossa, como essas notas de cem euros pesam no meu bolso!”. Ah, e sempre, sempre trave sua bike no rack, passando a corrente pelo pneu da frente, rack e quadro. E trave o pneu de trás com a trava que tem nele também.

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9. Dá pra se virar super bem só com o inglês

Isso é até um problema pra quem quer aprender holandês, porque o inglês é amplamente usado como “língua pra se falar com estrangeiros, sejam eles turistas ou não”. Mas nem por isso você pode já chegar na anglofonia sem mais aquela. Quer dizer, pode, mas por que não ser educado e ao menos saber dizer “goedemorgen” e dizer “may I speak English, please?” [“posso falar inglês, por favor?”]. Note que você não perguntou “do you speak English?” [“você fala inglês?”], porque aí eles podem entrar numa de tirar onda com a sua cara – “Yeah. Do you?” [“Sim, e você?”], naquele sentimento de “óbvio que falo, ‘tá pensando que sou o quê?”. Pedir permissão – “May I?” – é mais seguro.

Dito isso, os amsterdaneses estão acostumados com turistas e são no geral muito simpáticos com os visitantes.

10. Você vai pagar micos

Pelo menos, espero que sim. Aprender envolve necessariamente errar, e o dia que você parar de pagar mico é o dia em que você parou de aprender. E sempre há o que aprender, especialmente numa cidade tão intensamente rica como Amsterdam – tanta coisa em um espaço relativamente pequeno.

Então, apesar de ter tanta coisa que você deveria saber antes de vir pra Amsterdam, o mais legal é que tem ainda muito mais coisas que você só vai saber vindo pra cá. ‘Tá esperando o quê? ‘Bora pagar uns micos?

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Todas as fotos © Daniel Duclos

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Para acompanhar as histórias de Daniel por essa encantadora cidade, siga o Ducs Amsterdam no site ou no Facebook.

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