Brasileiros Viajantes

10 coisas que aprendi morando na Suécia

A Suécia é um país belíssimo e tem uma paisagem espetacular, cidades incríveis, uma população educada (a maioria dos quais fala inglês) e uma história e cultura muito mais antigas do que o nosso Brasil. É um país voltado para as inovações e que deu ao mundo nada menos que o Prêmio Nobel, os carros da Volvo, os móveis da IKEA, as embalagens Tetra Pak, as roupas da H&M, a vodka Absolut, os grupos ABBA e Roxette, entre tantas outras coisas.

Mas morar por aqui é mais do que conviver com tudo isso. É conhecer a língua, se deparar com os novos desafios e aprender a cultura local. Agradando ou não. E desde que cheguei à terra dos vikings, há três anos, ainda continuo em processo de aprendizado. Num primeiro momento, certas coisas me pareceram estranhas (e algumas ainda continuam parecendo), mas se esse é o país que escolhi para viver, pelo menos por enquanto, nada mais sensato que entender, respeitar e incorporar no meu dia a dia os costumes locais, não é mesmo?

Então, vamos lá!

1. “Fika” é um ritual quase que religioso

A primeira vez que ouvi a palavra Fika eu achei que tivesse alguma relação com o fato de você ficar com alguém, porque era um tal de “fika” pra lá, “fika” pra cá e “fika” a qualquer hora, que acabei tendendo para o lado malicioso. É eu sei. Vergonhoso isso! Mas depois que soube o que era acabou virando vício, seja pela manhã, tarde, noite e até na madrugada. Na verdade, Fika significa fazer uma pausa para se tomar um cafezinho ou outra bebida, se preferir, com amigos, familiares ou conhecidos e, normalmente, é acompanhando de qualquer tipo de doce, que pode ser um bolo, uma torta, um cookie, um kanelbulle (bolo de canela) e por aí vai. Esse ritual é tão forte por aqui que em muitos locais de trabalho se instituiu o intervalo para café, não apenas como uma pausa no trabalho, mas também como uma reunião informal. E por quê?

Porque as companhias suecas acreditam que essas pausas ajudam o sucesso da empresa, já que é o momento ideal para “limpar o cérebro” (como eles chamam), trocar ideias e experiências, além de contribuir para o aumento da satisfação do funcionário e criar aquele sentimento de grupo. E para aquele que evita o “fika”, saiba que ele pode ser visto com desconfiança pelos suecos. Acho que é bom ter a mente aberta e uma pausa não faz mal a ninguém, até porque terá muita coisa gostosa para comer. Agora, o “fika” também pode servir de desculpa para convidar aquela pessoa que se está de olho há algum tempo. Que tal lançar um “Ska vi ta en fika?” (Vamos tomar um café?). Vai que o xaveco dá certo.

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2. Um beijo estalado e um abraçado apertado nem sempre cai bem

Depois de tantas bolas fora, aprendi na marra que o beijo é reservado para a intimidade e no dia a dia ou que em uma apresentação não se beija ninguém. Ponto! Um aperto de mão é mais do que suficiente. Se com o tempo a amizade deslanchar, os abraços são mais do que bem vindos. Hoje em dia eu sempre espero a atitude do outro e assim fujo de qualquer gafe. Agora preciso dizer, quando vou ao Brasil, meus amigos estranham por eu não sair beijando a bochecha de todo mundo.

3. Ser “lagom” é o politicamente correto

Tão importante para os suecos e tão complicado pra mim. É o código de conduta social na Suécia e que significa ser moderado, apropriado, apenas o suficiente, ou seja, nem mais e nem menos. É ser na medida certa, já que nada exagerado é bem visto. Estou me esforçando, mas o duro mesmo é saber que medida é essa, ainda mais quando se vem de uma cultura tão expansiva como a brasileira.

4. Reclamar do clima é uma arma poderosa

Não apenas os suecos, mas estrangeiros também reclamam do clima o tempo todo. E eu sou apenas mais uma, principalmente quando há pouca luz do dia durante o inverno. É triste, é frio e o humor é afetado como nunca. Agora, quando quero usar de uma forma poderosa para que a interação social aconteça num vapt-vupt eu simplesmente reclamo do clima. É um assunto neutro e o papo rende que é uma beleza.

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5. O silêncio é de ouro

Não é de espantar se ninguém me interrogar num primeiro contato, afinal a comunicação sueca é basicamente “falar é prata, calar é ouro”. O que significa dizer que saber mais sobre a vida pessoal do outro pode demonstrar grosseria. Por exemplo, se um sueco não puxa papo comigo nos primeiros 10 minutos durante um almoço ou café, eu não levo para o lado pessoal. Ele quer apenas desfrutar de um pouco de paz e tranquilidade. E se isso acontecer contigo não se preocupe, que com o tempo essas questões vão sendo deixadas de lado e quando a amizade realmente acontecer ele te fará perguntas sem qualquer cerimônia.

6. Brindar é mais que um simples tim-tim

Quando se levanta um copo e grita “skål” (saúde), todos devem fazer contato visual com todos os outros na mesa antes de beber. Não importa se o brinde é entre três ou trinta pessoas. Esse ritual é perfeitamente normal: olho no olho antes de beber e novamente após o primeiro golinho para todos os participantes. A primeira vez que fiz o tal brinde foi meio estranho, porque achei que havia alguma coisa errada comigo já que todos estavam me olhando. Mas passada a paranoia percebi que esse é só mais um dos rituais da cultura sueca.

7. Preciso pagar imposto para assistir TV e usar a internet

O governo me cobra uma taxa anual de 2.076 coroas suecas (o que dá em torno de R$ 700,00) pelo direito de assistir TV e usar a internet. A partir do momento que eu compro uma TV nova em uma loja no país, o pagamento da taxa passa a ser obrigatório. Posso até tentar “burlar” o pagamento dizendo que não comprei a TV, que foi um engano ou que o responsável pelo pagamento é o proprietário da residência que alugo. Porém, essa história tem vida curta, pois há fiscais do governo que podem a qualquer momento bater à porta para verificar se há ou não a bendita da TV. E tem mais. Assim que eu contratar os serviços de TV a cabo e internet, alguém ligará perguntando sobre a tal TV ou sobre o acesso à internet. Se mesmo assim eu insistir que não tenho, eles lançarão a seguinte pergunta “Se você não tem, então por que você contratou os serviços com a empresa X?”. Pois é, não tem jeito. O governo me enviará a tal cobrança eu querendo ou não.

8. Sapatos são permitidos, mas só até a entrada de casa e que meias bonitas chamam a atenção

Tiro os sapatos sempre que chego em casa ou visito meus amigos. Durante o inverno, não é apropriado caminhar pela casa com os sapatos cheios de neve, porque é uma lambança só. E no verão a mania permanece, já que a casa fica tão limpinha. Mas tomo cuidado com as meias, porque quanto mais bonitas elas forem, mais estilosa eu pareço ser. Isso eu acabei levando para o Brasil em minha última visita, pois de certa forma agora não me sinto confortável em entrar na casa de alguém e ficar pisando naquele chão tão bonito com meu sapato que veio direto da rua.

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9. O verão é incrível

É a estação mais esperada por mim e para quem vive desse lado do oceano. O sol nasce antes que eu acorde e se põe depois que vou para a cama. Isso significa dizer que se eu trabalho até 17.00, terei 6 horas de sol depois do trabalho. É o período perfeito para desfrutar da qualidade de vida para fazer outras coisas como caminhadas, piqueniques, natação, canoagem etc. Sem contar o fato que depois de ficar meses vestida da cabeça aos pés é o momento perfeito para repor a vitamina D. Tanto que a minha está bem abaixo do nível ideal.

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10. Churrasco é composto de salsicha e legumes

Pense naquele legítimo churrasco brasileiro. Do coração de frango à picanha. Pensou? Pode esquecer tudo isso, porque aqui o que manda são as salsichas. Todo churrasco tem salsicha, batata e legumes. Não é aquela fartura a que eu estava acostumada, mas da para o gasto. E não para por aí. Às vezes, ser convidado para um churrasco não significa que eu irei para encher a pança. Significa apenas que irei encontrar os amigos e passarei um ótimo tempo juntos, porém terei de levar os meus próprios comes e bebes, já que irei compartilhar apenas a churrasqueira. Ah! A salsicha por essas bandas possui vários tipos e sabores, pelo menos isso, né?

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Para saber mais sobre a vida de Vânia Romão na Suécia, clique aqui ou aqui.

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Todas as fotos © Vânia Romão

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